O Hospital Municipal São José, em Jaraguá do Sul, emitiu recentemente um comunicado alertando para a incidência de golpes contra os parentes e pacientes da unidade. A prática não é novidade, mas as tentativas dos golpistas são constantes, o que faz com que a direção da unidade tome cuidados redobrados com os colaboradores para que não haja vazamento de informações de dentro do hospital. De acordo com a secretária administrativa do diretor da unidade, Vanessa Dana, os bandidos se aproveitam de pacientes que estão na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) para aplicar os golpes. Muitos pacientes são de outras cidades, o que acaba facilitando ainda mais a ação dos estelionatários. Os golpistas costumam ligar para a unidade para buscar informações. Para isso, eles se passam por médicos e solicitam a lista de pacientes internados na UTI. Dana explica que muitas vezes os estelionatários sabem o nome dos pacientes que estão internados nesse setor. Ela suspeita que os bandidos têm acesso a outros cadastros que estão fora dos registros do Hospital São José. Apesar das tentativas, os golpistas acabam saindo frustrados das ligações, pois o repasse desse tipo de informações não faz parte do protocolo da unidade e é vedado pela direção. Os estelionatários são insistentes, pois tentaram colher informações em diversos setores da unidade de saúde. “Recentemente, foi um caso ou outro. Mas, no ano passado, era feita uma ligação a cada cinco minutos. Com isso, o diretor do hospital, Maurício Souto Maior, fez um boletim de ocorrência porque eram registrados casos todos os dias, inclusive durante a noite. Eles não tinham um horário certo para ligar. Eles já falaram comigo e se passaram por um doutor Rodrigo, por exemplo. Eles diziam que estavam sem o sistema e pediam para que a gente repassasse informações. Mas todos os médicos conhecem onde estão os pacientes e, quando chegam na unidade, acessam o sistema para se reiterar do quadro clínico deles”, afirma. Mesmo assim, os golpistas acabam descobrindo o telefone de parentes dos pacientes internados e aí começa o desespero de quem está numa situação de fragilidade. “Eles pedem uma quantia em dinheiro para a realização de algum exame. Os golpistas chegam a mexer com o emocional dos familiares e dizem que o procedimento é necessário para salvar a vida do paciente. Já houve caso de parentes que quase fazerem depósitos, mas acabaram entrando em contato com o hospital. E nós dissemos que não era para fazer o depósito, pois se tratava de um golpe”, conta a funcionária da unidade. Para evitar golpes, a unidade realiza diversos procedimentos. Um deles é a entrega de um comunicado todas as vezes que um dos um dos pacientes é internado na unidade. Funcionários da Central de Relacionamento também percorrem o hospital para alertar sobre os golpes. Vanessa reitera que o hospital não pode cobrar nenhum valor quando a internação é feita pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Quando a internação é feita em caráter particular, tudo é acertado pelo setor de financeiro. Nada é feito pelo telefone”, explica, ao ressaltar que qualquer dúvida deve ser sanada com a equipe da unidade através do número (47) 3274-5000. Golpistas são de fora da cidade O delegado regional Adriano Spolaor ressalta que os estelionatários que agem nesse tipo de golpe são de fora de Jaraguá do Sul, de outros estados. “Geralmente, eles são presidiários que têm acesso a celulares dentro do presídio. Eles realizam os golpes de locais distantes e utilizam números no nome de laranjas ou mesmo clonados. É muito difícil a identificação dos responsáveis pelos golpes”, destaca o delegado. As pessoas precisam ficar alertas aos golpistas que utilizam telefones. Conforme Spolaor, é preciso desconfiar de qualquer conversa que é feita com o intuito de enganar as pessoas. “Em todos os casos, mesmo quando o golpe não é concluído, é preciso informar a autoridade policial através do boletim de ocorrência. Através dele vamos ter o registro do crime e também vamos poder encaminhar para autoridade competente da investigação dos fatos”, finaliza. Estelionatários também agem no Hospital Jaraguá Os pacientes do Hospital e Maternidade Jaraguá também são vítimas dos golpes. Na semana passada, a família de uma paciente foi contatada por um bandido e acabou depositando uma quantia em uma conta. Eles descobriram que foram vítimas de um golpe apenas quando chegou na unidade. A quantia pedida pelo estelionatário não foi divulgada. Após ser informada do golpe, a direção da unidade hospitalar fez um boletim na Delegacia de Polícia Civil. De acordo com o diretor Sergio Luis Alves, a unidade está à disposição para esclarecer dúvidas de pacientes e familiares. O hospital jamais entra em contato solicitando depósitos para exames, tratamentos ou compra de medicamentos. A orientação é de que não se faça nenhuma transação financeira sem antes confirmar a necessidade e a veracidade do pedido junto à unidade hospitalar. Para entrar em contato com o Hospital Jaraguá, o telefone é o (47) 3274-3000.