Foto Reprodução/Arquivo Pessoal

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O delegado titular da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI), Leandro Mioto Ramos, assumiu a investigação que apura o assassinato de Cesar Vasel, 34 anos, morto a socos, pauladas e pedradas por um grupo de pessoas, em agosto, no pátio de uma casa no bairro Estrada Nova.

O inquérito, que estava sob a responsabilidade do delegado Rodrigo Carriço durante as férias de Mioto, está na fase final de apuração.

Mioto vai ouvir na semana que vem os policiais militares que atenderam à ocorrência e juntar todos os elementos para fazer uma análise final do caso. O inquérito deve ser finalizado até o fim deste mês.

Além dos depoimentos que serão tomados, Mioto não descarta que novos elementos sobre o crime possam surgir. Qualquer fato novo deve ser apurado pelos policiais civis e fará parte da peça produzida ao final do inquérito.

“Nós vamos colher novas informações e, baseados nisso, vamos ver a qual conclusão que nós chegamos sobre a autoria. Apesar de já termos a confissão confirmada por outras pessoas. É um conjunto comprobatório bem robusto”, enfatiza.

A linha principal de investigação segue em torno da autoria das facadas que provocaram a morte de Vasel. Um dos menores envolvidos na ocorrência, de 17 anos, confessou ter dados os golpes na vítima.

“O menor assumiu as facadas e as outras duas pessoas (incluindo outro menor) envolvidas confirmaram essa versão. A senhora envolvida (Ester Lopes) deu uma pedrada na cabeça do rapaz. Por mais que uma confissão não seja a prova definitiva, você tem que ter algo bem robusto para fazer a acusação”, destaca, ao lembrar que os próprios adolescentes procuraram a Polícia Civil junto com um advogado para se entregar.

Mioto não está certo sobre a tese de legítima defesa apresentada pelos suspeitos, que argumentaram que ele invadiu a casa de Ester, para supostamente cobrar uma dívida.

Para ele, o fato de Vasel ter ido à casa das vítimas e ter, segundo os suspeitos, iniciado as agressões, podem não ser elementos que sustentem essa versão.

“Uma legítima defesa não é apenas você reagir a uma injusta agressão. Você tem que analisar a dosimetria exata dessa reação, ou seja, se você incidiu num excesso de legítima defesa. Então, tudo isso tem que ser analisado”, pondera.

O crime

O crime ocorreu na casa onde a suspeita morava, na rua Clara Schreiner Verbinen. De acordo com a Polícia Civil, o quinto homicídio registrado neste ano em Jaraguá do Sul foi motivado por uma suposta cobrança de uma dívida de drogas. Fato negado pela família da vítima.

Segundo a polícia apurou, na madrugada de 11 de agosto, Cesar Vasel estava em um churrasco na vizinhança quando decidiu cobrar o dinheiro que estavam devendo para um amigo.

Ele, segundo a versão dos suspeitos, teria entrado na casa, onde também havia uma festa, e agredido a inquilina, quando foi atingido por facadas na perna desferidas por um menor.

Testemunhas revelaram à família da vítima que quando ele saiu cambaleando e caiu no chão coberto de brita, Ester veio e o atingiu com pedradas na cabeça, além de socos e pontapés que os demais desferiram.

Vasel chegou a ser socorrido pelos bombeiros voluntários de Jaraguá do Sul, mas morreu antes de dar entrada no hospital. De acordo com o laudo produzido pelo Instituto Geral de Perícias, a vítima recebeu múltiplas facadas na artéria femoral, na perna, nas costas e no rosto.

Ele também levou pancadas no rosto, provavelmente feitas com uma pedra - fato comprovado por testemunhas - além de socos e pauladas. Os golpes ocasionaram hemorragia e a morte. A família acusa os suspeitos de latrocínio, pois celular, corrente e relógio da vítima desapareceram.

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