Foto Arquivo Pessoal
Foto Arquivo Pessoal

Após voltar a dar notícias para a sua família nesta terça-feira (16), o corupaense Evandro Schwirkowsky, 23 anos, diz que não teve a intenção de enganar as pessoas.

Em entrevista ao jornal O Correio do Povo, ele conta que esteve em Brumadinho no dia 25 de janeiro, mas que havia saído uma hora antes da tragédia ocorrer.

Sobre o suposto golpe que deu em um casal na venda de um terreno em Corupá, explica que ganhou aquele pedaço de terra do avô e que, por isso, tinha o direito de vender o bem.

Ao todo, Evandro levou R$ 21 mil do negócio, que não foi reconhecido pela família, já que o terreno está no nome do avô e foi arrendado ao pai dele, Maurício Schwirkowsky, 51 anos.

“Eu peço mil desculpas ao casal. Nem que eu tenha que trabalhar a minha vida toda, mas eu vou devolver esse dinheiro para eles, pois eu sou uma pessoa digna e não sou golpista. Eu não quis fazer isso com eles porque a casa é minha.

 

Eu construí uma casa em um terreno que eu ganhei, estava morando naquela casa há cinco anos”, comenta.

Evandro conta que saiu de Corupá após vender o terreno e que foi ameaçado pelo pai. Ele salienta que era perseguido pelo fato de ser gay e manter um relacionamento com o garçom Edemilson de Jesus Silva, 34 anos.

Depois da tragédia que ocorreu após a barragem da empresa Vale estourar em Brumadinho, revela que viu nisso uma oportunidade de sumir da família e de proteger o companheiro.

“Olha, eu fiquei por aí e não quero comprometer outras pessoas. Teve pessoas que me ajudaram. Eu fui para lá, saí uma hora antes da tragédia. Eu fiquei todo esse tempo em Salvador. Eu saí de casa desesperado porque estava sofrendo ameaças", conta.

"Uma pessoa em um momento de desespero faz qualquer coisa. Eu vendi o terreno e viajei. Com a tragédia, vi uma oportunidade de me livrar da minha família e da minha família se ver livre de mim. Eu não queria que acontecesse alguma coisa com o meu companheiro. Eu queria proteger a ele”, revela.

O jovem que se passou por desaparecido lamenta o fato de ninguém conseguir entender o lado dele, pois é homossexual e, segundo ele, sofreu ameaças da família. Evandro conta que se sentiu coagido e desesperado quando estava em Corupá.

O rapaz afirma que não pensou no dinheiro que a empresa Vale poderia dar de indenização com a sua morte e que esse é um dinheiro maldito.

“No momento em que eu vi que iria dar essa repercussão, que iria receber dinheiro, eu decidi aparecer. Porque eu não quero nada que não seja meu”, enfatiza.

Pai rebate versão do filho

“Eu tinha certeza que ele não estava morto. Eu tinha certeza desde o primeiro dia que falaram que ele estava morto. Eu tenho muita fé em Deus. Minha mulher me perguntou como eu sabia e respondi que ele estava melhor do que todos nós. Todo esse tempo, eles tinham dinheiro, mas o dinheiro acaba”, comenta Maurício.

Ele também conta que ficou sabendo que o filho vendeu parte do sítio do seu pai dias depois de a venda ser registrada em um contrato sem validade.

O produtor rural conta que ficou triste com a notícia do desaparecimento do filho e agora se sente desapontado em saber que tudo foi uma farsa.

A família Schwirkowsky acusa Edemilson de arquitetar um plano para receber o dinheiro da indenização da empresa Vale e que ele chegou a entrar em contato com uma funerária em Corupá para pedir documentos do companheiro.

 

 

Edemilson nega e afirma que pediu documentos porque é dependente no plano.

Maurício conta que a família Schwirkowsky sempre tratou Evandro e Edemilson como um casal, que deram uma casa a eles e que, inclusive, ajudavam os dois no que era preciso.

Em festas de família, os dois teriam sido muito bem tratados, em todos os anos que conviveram em Corupá.

O pai do jovem supostamente desaparecido revela que deu até um bananal para o casal trabalhar, mas que o trabalho ficou pela metade.

“O que a gente ajudou essa gente, a gente dava de tudo. Eu dei o meu bananal para eles, as bananas estão lá e elas não fogem. Eu dei um bananal pronto para ele fazer um documento desses. Já que ele fez isso, eu não quero mais falar com ele.

 

Eu, minha mãe e meu pai, que estão descansando, não criamos um filho para ser bandido”, dispara Maurício, que é analfabeto e tem problemas de pressão e no coração.

 

Polícia Civil investiga o caso

Um boletim de ocorrência sobre a venda do terreno foi registrado na Delegacia de Polícia da Comarca de Jaraguá do Sul.

A ocorrência de estelionato já está sendo investigada. Segundo a polícia, se for comprovado que Edemilson registrou o desaparecimento de Evandro de má fé, o fato pode configurar em crime de falsidade ideológica.

 

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