Foto: Defesa Civil de Santa Catarina, Defesa Civil de Jaraguá do Sul e Corpo de Bombeiros Militar decidiram liberar a vinda dos moradores na noite de terça | Foto: Eduardo Montecino/OCP

Foto: Defesa Civil de Santa Catarina, Defesa Civil de Jaraguá do Sul e Corpo de Bombeiros Militar decidiram liberar a vinda dos moradores na noite de terça | Foto: Eduardo Montecino/OCP

O Corpo de Bombeiros Militar e a Defesa Civil vão confeccionar um documento com a avaliação completa sobre a situação do bloco 8 do Condomínio Residencial Ester Menel. Na noite desta terça-feira (13), por volta das 19h30, os órgãos fizeram a liberação do edifício para o retorno dos moradores. Apesar da liberação e da certeza de que não houve danos estruturais no prédio, o perito em edificações concluiu que os danos na edificação na noite de segunda (11), rachaduras e a quebra dos pisos, foram causados pela variação de temperatura na cidade.

Um engenheiro civil especialista em patologias em edificações, Gilberto Luiz, chegou no condomínio por volta das 18h desta terça, após o prédio ser interditado pela segunda vez. Com equipamentos específicos para verificar a estrutura, ele realizou análises no prédio. Após a realização dos procedimentos, o retorno dos cerca de 40 moradores aos 16 apartamentos do bloco 8 foi liberado pelos bombeiros militares e pelas defesas civis de Santa Catarina e de Jaraguá do Sul.

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“Após a vistoria com o especialista, nós fizemos uma reunião com os órgãos envolvidos na ocorrência, a Defesa Civil Estadual, Defesa Civil de Jaraguá do Sul e Corpo de Bombeiros Militar. Depois, nós fizemos uma audiência com os moradores para explicar o que realmente aconteceu, quais eram as condições do bloco. O engenheiro até acalmou os moradores dizendo que não havia um dano estrutural no prédio, as rachaduras existentes são normais. O piso ficou danificado após as mudanças de temperatura e pela má qualidade do serviço”, afirma o coordenador da Defesa Civil de Santa Catarina na região de Jaraguá do Sul, Osvaldo Gonçalves.

De acordo com o coordenador da Defesa Civil, a tendência do piso com a mudança de temperatura é rachar. A Defesa Civil recebeu outros chamados relatando o mesmo problema, mas sem outros problemas estruturais mais graves. “Isso é muito comum na nossa região, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Além disso, as placas de porcelana não estavam completas com cimento cola. O aplicador colocou só em alguns pontos e causou esse problema. Em outros pontos do prédio nem cimento cola tinha. O piso foi colocado sem nada”, conta Gonçalves. “Foram a união de todas essas variantes que resultaram nisso”, completa.

A única condição para o retorno dos moradores foi o desligamento do gás. Segundo Osvaldo Gonçalves, uma peça será trocada para o retorno do fornecimento. “A gente identificou um vazamento e vai ser necessária a troca de uma válvula. Essas peças têm cerca de cinco anos de validade e uma delas apresentou esse problema. Os técnicos da Ultragaz vão realizar uma vistoria. Depois, eles vão trocar essa válvula vencida e vão realizar a liberação do gás”, explica Gonçalves. Na noite de segunda-feira (11), quando houve o incidente que levou à interdição do prédio, moradores relataram um forte cheiro de gás.

Defesa Civil de Jaraguá do Sul faz orientações

O engenheiro da Diretoria de Proteção e Defesa Civil da Prefeitura de Jaraguá do Sul, Wolnei Krüger, comandou a primeira vistoria feita no prédio do bloco 8 do condomínio Ester Menel. No relatório produzido por Krüger, os técnicos avaliaram o prédio com quatro pavimentos e constataram fissuras e trincas em aberturas de esquadrias, vidro trincado, fissuras de retração e expansão de revestimento em paredes de alvenaria, sinais de infiltração decorrente de deterioração de juntas do piso cerâmico e destacamento de piso cerâmico em decorrência de variação térmica.

O documento apresenta ainda algumas orientações para os administradores do condomínio. O relatório pede que o síndico faça a contração de um profissional ou empresa executora para recuperação das manifestações patológicas da edificação com emissão de uma Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) junto ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura de Santa Catarina (CREA/SC). O engenheiro da Defesa Civil de Jaraguá do Sul pede também o monitoramento do aparecimento de novas rachaduras ou agravamento das que já existem atualmente no edifício.

A reportagem do jornal O Correio do Povo tentou contato com a síndica do Condomínio Residencial Ester Menel e com a construtora Concreto Construtora de Obras, mas não obteve sucesso.