Reportagem de William Fritzke para o jornal O Correio do Povo. Após dois anos de muita saudade e aflição, na manhã desta o imigrante haitiano que vive em Guaramirim, Celifette Elucien, conseguiu realizar o sonho de trazer os dois filhos para o Brasil. Após longo período longe da família, o tão sonhado reencontro ocorreu no saguão do Aeroporto Internacional Afonso Pena, em Curitiba, no Paraná.

Depois de mais de 12 horas de voo, com escalas no Haiti, Manaus, Brasília e finalmente em Curitiba, a família pode se reunir mais uma vez. Exatamente às 11h58, Woodderley, quatro anos, e 15 anos, apareceram pelo portão de desembarque na companhia da tia e foram direto para os braços do pai e da mãe, Sailtailia Delthonse, 38 anos, que aguardavam com beijos e abraços. O rosto estampava um largo sorriso de felicidade em meio às irreprimíveis lágrimas, uma mistura de alivio e emoção.

Sem saber falar nenhuma palavra em português, as crianças e a esposa do bombeiro estavam visivelmente felizes. “Estou muito contente, minha família está unida, não aguentava mais esperar, era como se minha esposa estivesse grávida novamente”, afirmou Celifette. Ele fez questão de agradecer, já que o dinheiro que custeou as passagens dos filhos veio através de doações. “Primeiramente a Deus, mas em segundo lugar a cada um que me ajudou. Conhecidos, desconhecidos, amigos, bombeiros, jornal, eu agradeço de coração. Que Deus lhes pague, pois meu sonho se tornou realidade, não tenho como descrever”, afirmou.
Foto: William Fritzke
Foto: William Fritzke/OCP
As crianças foram levadas para a nova casa e já estão matriculadas na escola. O dever de ensinar português fica por conta do bombeiro, que no país vizinho já era tradutor e professor de línguas. Corrente do bem Celifette, 39 anos, é um dos muitos imigrantes que fugiram da miséria e do desemprego no Haiti, devastado pelo terremoto de 2010. Ele entrou no Brasil em setembro de 2013 pela fronteira com o Acre e foi para Guaramirim, onde se firmou, arranjou trabalho, entrou como voluntário no Corpo de Bombeiros e alugou uma casa, onde mora com a esposa, que imigrou em 2015, e agora recebe os filhos. No Haiti, ele era professor de línguas, falando fluentemente cinco idiomas. “Eu vim para o Brasil para tentar uma nova vida, e conseguir dinheiro para a família, mas, meu sonho é ter todos reunidos aqui novamente. Não aguento mais essa distância”, afirmava Celifet, em uma reportagem feito pelo OCP no ano passado, quando os bombeiro se juntaram para formar uma campanha para angariar fundos para custear a passagem dos pequenos. Após a corrente do bem ter sido criada pelos amigos bombeiros de Guaramirim, e divulgada pelo Grupo OCP, centenas de pessoas de todos os lugares do Brasil, e até de outros países contribuíram. O bombeiro conseguiu arrecadar R$ 6 mil para comprar as passagens. O apoio também veio da empresa Omil Transportes, que gratuitamente fez o transporte família e das bagagens até Guaramirim. https://www.youtube.com/watch?v=wMC2GFvBUlI