Os servidores públicos municipais de Florianópolis decidiram em assembleia nesta quinta-feira (10) manter a greve da categoria, que chega ao 30º dia nesta sexta-feira (11). Apesar da assinatura de um acordo com a prefeitura na quarta-feira (9) no Tribunal de Justiça, os trabalhadores alegaram que o Executivo descumpriu uma das cláusulas do compromisso, o que inviabilizou o fim da paralisação. Além de manter o movimento, os servidores montaram acampamento na Rua Tenente Silveira, em frente ao prédio da prefeitura, e pretendem ficar por lá até que novo acordo seja selado.

O ponto de discórdia agora está na relação com os trabalhadores ACTs (Admitidos em Caráter Temporário). O Sintrasem – sindicato da categoria – alega que a prefeitura encaminhou, horas antes da assembleia, uma proposta onde está previsto o desconto dos dias parados para os ACTs - ao contrário do que havia sido acordado na reunião de conciliação de quarta-feira no TJ, com intermediação do desembargador Hélio do Valle Pereira.

O Executivo nega a quebra do acordo. Segundo Bruno de Oliveira, chefe de gabinete do prefeito Gean Loureiro, a prefeitura está mantendo o que foi firmado diante do desembargador. Conforme ele, os trabalhadores ACTs a serem descontados são os que terão seus contratos encerrados neste início de maio. Bruno informa que estes trabalhadores não terão tempo hábil para repor os dias parados e que, portanto, receberão proporcionalmente.

Diante do novo impasse, o Sintrasem encaminhou ofício ao secretário de Administração, Everson Mendes, informando de que a proposta da prefeitura foi “insuficiente” e apresentou quatro itens como pauta de reivindicação: 1 – Revogação da lei das OS; 2 – Reposição dos dias sem desconto de salários; 3 – Retirada da ação contra o sindicato e 4 – Garantia de reposição dos dias de greve para todos os ACTs.

A prefeitura, por sua vez, garante que vai publicar edital para solicitar vagas na rede privada de educação; pedirá na Justiça o congelamento dos bens do sindicato; a cobrança da multa no valor integral; e que vai iniciar um processo de abandono de emprego dos servidores.

No início da noite, a prefeitura emitiu nota dizendo que os 200 ACTs, num universo de 1.300, têm contrato findado na próxima semana e que serão substituídos por funcionário efetivos licenciados  que voltam ao trabalho. "A prefeitura não pode manter dois servidores", alegou a prefeitura.

Enquanto isso, os servidores seguirão acampados em frente à prefeitura. Conforme o capitão M. Cesar, da Polícia Militar, comandante da operação em frente ao prédio do Executivo, será dada a garantia de manifestação aos grevistas, que certamente terão uma noite longa nas barracas iglus montadas na Rua Tenente Silveira.

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