A pandemia do coronavírus vivenciada há mais de um ano em todo o mundo tornou mais comum o uso de termos e métodos de tratamento que anteriormente não eram tão conhecidos pela comunidade.

Um deles muito utilizados em hospitais, especialmente nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e que se tornou ainda mais comum devido à gravidade dos casos é o “pronar o paciente” ou colocá-lo na “posição prona”.

“Pronar seria posicionar o paciente no leito com a barriga voltada para baixo. Há anos utilizamos esta técnica em paciente com oxigenação muito baixa e já em uso de ventilador mecânico com todos os parâmetros otimizados - existe uma conta que fazemos a partir da gasometria e da quantidade de oxigênio que estamos oferecendo ao paciente e, a partir deste cálculo, indicamos a mudança de posição no leito”, explica a médica intensivista do Hospital São José de Criciúma, Dra. Marina Casagrande do Canto.

De acordo com a especialista, a técnica auxilia no tratamento daqueles que estão internados devido ao coronavírus.

“Os pacientes com pneumonia viral por Covid fazem uma resposta inflamatória muito grande no pulmão sobrando poucas áreas viáveis para que o órgão exerça sua função de captar o oxigênio e mandar para o nosso corpo. Em um paciente deitado de barriga para cima temos o coração e as estruturas em sua volta pesando na parte posterior do pulmão, ajudando a fechar áreas pulmonares. Quando viramos, estas áreas, antes fechadas, conseguem abrir e ajudar na oxigenação”, explica a Dra. Marina.

Acompanhamento profissional é necessário

Segundo a médica, a técnica pode ser utilizada também fora da UTI, desde que acompanhada com profissional qualificado para uma melhor orientação e monitorização.

“A mudança de posição também pode ser vista em pacientes fora da ventilação mecânica, ou seja, respirando sem aparelhos. No entanto é preciso sempre ficar atento que os pacientes afetados com a Covid e que estão em casa e sentem falta de ar devem sempre procurar assistência médica. Caso se opte por realizar a posição de prona fora do ambiente hospitalar, o ideal seria estar acompanhado de um profissional capacitado (enfermagem, fisioterapeuta, médico) para uma orientação adequada e ter um oxímetro de pulso (aparelho para medir saturação de oxigênio) para avaliar se essa posição realmente melhorou. Cada medida é individualizada e nem sempre teremos resposta. O melhor, antes da decisão de pronar, é consultar um médico que indique ou não a posição”, enaltece a médica.