Oito metros de corda para dominar em cima de um cavalo e um alvo distante para laçar. Por essa e outras razões, não há dúvidas que a prática do laço é uma das mais emocionantes, principalmente para as famílias das zonas rurais.

Em Guaramirim, o amor pelo esporte fez com que João Carlos Guesser, 57, e Juarez Lombardi, 51, criassem o Campeonato Municipal de Laço. A disputa, que está completando dez anos em 2018, chega ao fim neste domingo (4) com a quinta etapa.

A competição é realizada pela Secretaria Municipal de Esportes e Lazer do município, que abraçou a iniciativa dos laçadores.

Antes de fundar o campeonato, Guesser e Lombardi já participavam de rodeios e competições de laço organizadas pelo Centro de Tradições Gaúchas (CTG). Os dois conheceram o esporte pelas instruções dos pais e passaram a tradição para as gerações seguintes.

"Meu pai tinha cavalo e por isso eu sempre gostei desse mundo, desde pequeno. Hoje, tenho um casal de filhos que seguiu esse caminho e são laçadores. Acho que esse é o diferencial do esporte, conseguir envolver todas as gerações de uma forma agradável", relata Guesser.

João Carlos Guesser é um dos laçadores da região | Foto Eduardo Montecino/OCP News
João Carlos Guesser é um dos laçadores da região | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Lombardi, que também passou o costume para os filhos, lembra claramente da primeira vez que foi a um campeonato e viu os laçadores. Ele e o pai acordaram de madrugada e chegaram no rodeio quando o dia estava amanhecendo. "É uma imagem que nunca mais saiu da cabeça", observa.

No começo, segundo os peões, as dificuldades da prática do laço eram maiores, principalmente em relação ao transporte dos cavalos. Hoje, existem carretas feitas especialmente para levar os animais. Neles, há espaço para os laçadores dormirem e até cozinharem.

Outra diferença é a espécie do animal. Guesser explica que o cavalo bom para a prática é o crioulo, que não era muito comum em Santa Catarina. "Eles são mais mansos, mais fáceis de instruir. Agora já conseguem trazer eles pra cá", comenta.

Nas disputas, Guesser conta com a fiel companheira Joanita, uma égua que já está com ele há três anos. Ela e os cavalos dos filhos ficam em um piquete na propriedade do laçador. O local será palco da final do deste domingo. Juarez, que também compete, é um dos narradores da competição.

Como ter um bom laço

"O segredo para laçar é gostar e treinar", declara João Guesser. Ele ainda completa que um pouco de dom faz a diferença para quem quer começar a praticar.

O laço, que dá nome ao esporte, tem geralmente oito metros e é de couro. Às vezes o comprimento varia conforme as regras de cada campeonato.

Laço é geralmente feito de couro | Foto Eduardo Montecino/OCP News
Laço é geralmente feito de couro | Foto Eduardo Montecino/OCP News

A maneira como ele é manejado antes do arremesso influencia no resultado. Guesser ressalta que para valer a jogada, a corda precisa envolver apenas o chifre do boi, que no caso do campeonato em Guaramirim, é mecânico.

"É difícil porque é uma área pequena que você tem que acertar. O boi precisa estar na tua direção", aponta. A cancha onde acontece a prática tem cem metros de comprimento. "Tem que analisar qual é o melhor momento de arremessar, às vezes aos 30 metros, 50 metros. Outros deixam mais pro final da cancha", declara Guesser.

Lombardi comenta que o jeito de arrumar as rodilhas é fundamental para um bom laço. Para ter mais firmeza na hora de arremessar a corda, os peões envolvem parte dela no braço. Essas voltas são chamadas de rodilhas. O laço precisa ser fino e ter o peso certo.

Ele também explica que, pela dificuldade de fazer o campeonato com um boi, a disputa utiliza uma vaca mecânica, que é puxada por uma moto na cancha.

Mais de 20 equipes

O Campeonato Municipal de Laço conta com a participação de 28 de equipes da microrregião. As etapas são realizadas em diferentes piquetes localizados em Guaramirim.

Neste domingo, a final acontece no Piquete Sangue Crioulo, no bairro Rio Branco, a partir das 10 horas. O prêmio dos vencedores será o Troféu Arthur José Reinert, pai de João Carlos Guesser.

A disputa ocorre nas categorias equipe, individual, patrão, laçador 55 (pessoas acima de 55 anos), guri (nascidos a partir de 2006) e prenda livre.

No dia da etapa, as crianças com até dez anos de idade também podem participar das modalidades prendinha e piazinho, onde laçam na vaca parada.

A Prefeitura ajuda Guesser e Lombardi na organização e com recursos.

 

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