Novas tecnologias, recuperar a força e a presença social das entidades de classe e capacitar profissionais liberais para as realidades do mercado contemporâneo: estes são os desafios que foram assumidos ontem à noite pelo odontologista Jonathan Mandalho.
Mandalho é o novo presidente do Centro de Profissionais Liberais (CPL) de Jaraguá do Sul para a gestão de 2018. Nesta entrevista, ele fala sobre o papel da entidade, as metas da gestão e os percalços para as profissões liberais na era digital.

Leia a entrevista com o presidente de Centro de Profissionais Liberais (CPL) de Jaraguá do Sul, Jonathan Mandalho:

 
Qual a importância do CPL no setor?
O CPL congrega quatro entidades - a Associação Médica de Jaraguá do Sul, a Associação Brasileira de Odontologia, a Associação de Engenheiros e Arquitetos e a Ordem dos Advogados do Brasil. Foi fundado há 31 anos, por intermédio de profissionais liberais que na época tiveram a ambição de criar um espaço que congregasse e abrigasse todas essas entidades que já eram representativas na época.
Já tinha uma certa quantidade de profissionais e eles eram influentes na comunidade. Conseguiram um terreno, construíram um prédio, de 1.300 m², com auditório, salão de festas, foi uma realização tremenda, tanto que levou 15 anos para ser construído.
Hoje, o prédio está lá, abriga essas quatro entidades. O nosso papel é fazer atualizações com os profissionais, criar interação entre essas classes e também indicar membros para os conselhos municipais, como o Comcidade e o Conselho Municipal da Saúde
Quais são os principais desafios para o profissional liberal hoje?
A princípio, o maior desafio da profissão liberal hoje é se adequar a essa revolução tecnológica que está acontecendo nos dias de hoje.
Tem muitas profissões que a gente tem acompanhado que estão sofrendo com o impacto do uso de aplicativos, de facilidades que a internet hoje oferece, tecnologia da informação.
Então, tudo isso será um foco especial da nossa gestão, a gente vai trazer profissionais para debater o assunto, para nos antecipar com essa realidade.
E qual será a agenda do CPL neste sentido?
Nossa ideia é fazer com que o CPL tenha uma agenda pró-ativa, promover algo na área cultural, na área científica, trazer atualidades para o contexto de nossa atuação profissional. Hoje, por exemplo, existem aplicativos que podem fazer o agendamento de consultas pelo celular.
E isso é uma realidade já em grandes centros e algo no qual teremos que nos adequar, como aconteceu por exemplo com o Uber, que revolucionou a área de transporte urbano.
Hoje as pessoas preferem usar o Uber a pegar um táxi, por conta da comodidade e do preço. E todos hoje estão usando estas comodidades. Então, vamos tratar disso com mais ênfase, para a gente se adequar a essa situação.
O país acaba de sair de um quadro de recessão bastante intenso. Isso afetou as profissões liberais?
Sim, chegou a afetar. A gente teve uma situação econômica bem grave registrada nos últimos três anos e isso chegou a afetar como um efeito secundário. As pessoas tiveram que cortar seus gastos e isso acabou por atingir o setor de serviços, uma das frentes do profissional liberal.
Então, as pessoas começaram a pensar duas vezes antes de ir ao dentista, fazer uma consulta médica, um projeto arquitetônico.
A gente teve uma queda abrupta sim, mas sabemos da importância que a gente tem na balança comercial e no Produto Interno Bruto. O setor de serviços hoje é o carro-chefe da nossa economia, correspondendo a 70% do PIB.
No seu entendimento, quais seriam as prioridades para o setor?
O maior desafio hoje é fortalecer as entidades que ao longo da última década se enfraqueceram muito, por conta da nossa rotina diária, deste capitalismo exacerbado, de pagar contas, correr atrás, cumprir horários. As pessoas têm pouco tempo para se dedicar e manter um voluntariado em uma entidade.
Então, temos percebido que as entidades vem perdendo adeptos, filiados. Temos o intuito de fortalecer essas entidades, sugerindo e apoiando para que realizem eventos, de forma que se tornem úteis à comunidade. Essa foi a finalidade da criação do CPL.
Os profissionais liberais são um dos alicerces da economia local, o que seria de Jaraguá do Sul sem um médico, sem um advogado, sem um engenheiro?
É claro, as indústrias que temos aqui são imprescindíveis, elas que fizeram com que a cidade crescesse. E a gente veio junto para fazer com que Jaraguá se tornasse hoje uma das cidades polo do Estado.
Quais as perspectivas e metas da sua gestão?
A gestão do CPL é anual. A nossa diretoria tem o desafio de terminar uma reforma no prédio, por conta da enchente que inundou nosso andar térreo e destruiu tudo, em 2014. Foram feitas adequações, mas precisamos angariar recursos para concluí-la.
Como somos uma entidade sem fins lucrativos, teremos de usar alguns artifícios para tentar terminar essa obra. Eu até mencionei para a minha diretoria se há 30 anos conseguimos construir esse prédio, qual a dificuldade em terminar uma reforma com um custo bem menor?
Então os desafios são manter o prédio em condições de abrigar as entidades, estar em ordem para receber nomes, professores, promover eventos científicos, não só para essas quatro entidades, mas todo o universo de profissões liberais.
Vamos tentar captar mais profissionais liberais que possam usufruir do espaço. A profissão liberal hoje é também o psicólogo, o jornalista, o educador físico e tantas outras profissões que conhecemos.