Por Dyovana Koiwaski | Foto Eduardo Montecino A estimativa é de que a cada 100 mil pessoas, uma é compatível com um paciente que precise de medula óssea. Osvandir Lehmann, 58 anos, é uma dessas pessoas que teve a compatibilidade atestada. Doador de sangue desde quando atuava como bombeiro voluntário, o corretor de imóveis jaraguaense irá doar sua medula para uma criança francesa. Após uma bateria de exames e procedimentos, que estão sendo realizados desde o ano passado, Lehmann viaja neste sábado (10) para Porto Alegre, onde realizará a coleta do material. A doação será no domingo e levará, no máximo, 90 minutos. A previsão é que até terça de manhã (13), o jaraguaense ganhe alta. Há três anos, durante uma das doações de sangue que faz anualmente, o corretor foi convidado a fazer um cadastro de medula. Em fevereiro do ano passado, Lehmann recebeu uma ligação do Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) informando sobre o paciente compatível e questionando se ele ainda tinha interesse em fazer o procedimento. “Não pensei duas vezes e aceitei. Com isso, fui submetido a mais um exame de sangue para dar continuidade no processo”, explica. A confirmação de que Lehmann seria o doador para um paciente da França veio no mês de novembro. “A equipe médica explicou como funciona todo o processo, que não é dolorido e a recuperação é rápida. Por Jaraguá não ter clínica especializada nesta área, todos os exames e a própria doação será em Porto Alegre”, conta. As despesas de transporte, hospedagem e alimentação são custeadas pelo Redome. Como a legislação brasileira mantém sigilo sobre a identidade do doador e receptor pelos primeiros 18 meses, as informações sobre o beneficiado pelo ato de generosidade de Lehmann são poucas. “Assinei um termo afirmando o meu interesse em conhecer a pessoa, se ela também quiser. A felicidade em poder salvar a vida de alguém, com a idade avançada já, é muito grande”, salienta o jaraguaense. Os critérios para doadores incluem que eles tenham até 55 anos de idade, mas como as condições de saúde de Lehmann estão ótimas, de acordo com os resultados médicos, o processo foi levado adiante. Conheça o procedimento para doação A doação é feita por meio de um procedimento no centro cirúrgico, sob anestesia geral ou aplicada na coluna vertebral. São realizadas de quatro a oito punções com agulhas nos ossos da bacia, para que seja aspirada parte da medula. Retira-se um volume de medula em torno de 15 mililitros por quilo do doador. Esta quantidade não causa qualquer comprometimento à sua saúde e a pessoa recebe alta no dia seguinte à doação. Este é o procedimento pelo qual Osvandir Lehmann será submetido. Há outro método de doação chamado coleta por aférese. Nesse caso, o doador faz uso de uma medicação por cinco dias com o objetivo de aumentar o número de células-tronco circulantes no seu sangue. Após esse período, a pessoa passa pelo procedimento por meio de uma máquina que colhe o sangue da veia do doador, separa as células-tronco e devolve os elementos do sangue que não são necessários para o paciente. A decisão sobre o tipo de doação é exclusivamente dos médicos. Nos primeiros três dias após a doação pode haver desconforto localizado, que pode ser amenizado com o uso de analgésicos e medidas simples. Normalmente, os doadores retornam às suas atividades habituais depois da primeira semana após a doação. Doador quer conscientizar a popularização  Quando retornar da viagem, na semana que vem, Osvandir Lehmann conta que os amigos e familiares já estão organizando uma festa de comemoração. “O pessoal ficou muito surpreso e curioso a respeito da doação de medula óssea. Com o meu caso, consegui motivar outras pessoas a se cadastrarem e essa é minha intenção daqui pra frente, tornar estas histórias cada vez mais frequentes”, enfatiza. De acordo com o Redome, o número de doadores voluntários tem aumentado expressivamente nos últimos anos. Em 2000, existiam apenas 12 mil inscritos. Naquele ano, dos transplantes de medula realizados, apenas 10% dos doadores eram brasileiros. Agora há quatro milhões de doadores inscritos. A chance de se identificar um doador compatível, no Brasil, na fase preliminar da busca é de até 88%, e ao final do processo, 64% dos pacientes têm um doador compatível confirmado. O país tornou-se o terceiro maior banco de dados do gênero no mundo, ficando atrás apenas dos registros dos Estados Unidos (quase 7,9 milhões de doadores) e da Alemanha (cerca de 6,2 milhões de doadores). Como se cadastrar como doador • Procure o hemocentro e agende uma consulta de esclarecimento. • O voluntário à doação irá assinar um termo de consentimento especial e preencher uma ficha com informações pessoais. Será retirada uma pequena quantidade de sangue do candidato a doador. É necessário apresentar o documento de identidade. • O sangue será analisado por um teste de laboratório para identificar suas características genéticas que vão ser cruzadas com os dados de pacientes que necessitam de transplantes para determinar a compatibilidade. • Os dados serão incluídos no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). • Quando houver um paciente com possível compatibilidade, o doador é consultado para decidir quanto aoprocedimento. Por este motivo, é necessário manter os dados sempre atualizados. • Para seguir com o processo de doação serão necessários outros exames para confirmar a compatibilidade e uma avaliação clínica de saúde. • Somente após todas estas etapas concluídas o doador poderá ser considerado apto e realizar a doação.