Considerada uma forma de energia limpa, sustentável e inesgotável, a energia fotovoltaica chama cada vez mais a atenção de empresas e pessoas que buscam alternativas mais eficientes de produção energética. Antes vista como uma tecnologia distante, aos poucos esta fonte de energia começa a ganhar espaço, especialmente em uma época de grandes debates a cerca de matriz energética brasileira. Uma pesquisa realizada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) no final do ano passado mostra que até 2024 a energia elétrica fotovoltaica será responsável pela produção de 7 megawatts no Brasil, o que representará 4% da potência total brasileira. Atualmente, a fonte representa 0,02% da potência elétrica do País. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), atualmente, 2.892 imóveis usam o sistema no país, sendo 211 deles em Santa Catarina. Em Jaraguá do Sul, um dos maiores exemplos foi a instalação feita na Scar, que teve investimentos de R$ 900 mil. De acordo com o gerente do Departamento de Negócios de Energia Solar da Weg, Casiano Rodrigo Lehmert, a energia fotovoltaica é considerada sustentável por não exigir alterações do ambiente natural, não produzir resíduos e ser altamente adaptável. “Imagine uma hidroelétrica, que está longe do ponto de consumo, gera um grande impacto ambiental e exige milhões de investimentos em transmissão. Se compararmos, a energia solar é muito vantajosa, pois é gerada próximo ao ponto de consumo, as perdas são muito menores e pode ser instalada em construções já existentes”, aponta Lehmert. A manutenção é outro ponto positivo: além de muito resistente, uma das poucas demandas do equipamento é a limpeza, sendo que, quando bem instalado, a própria chuva auxilia neste processo. “É um equipamento que pode durar até 25 anos e que demora em média seis anos para se pagar. É resistente ao tempo, não prejudica o telhado e valoriza o imóvel”, defende o especialista do setor, Maurici Perkowski. infografico ocp1 Fazendo a instalação Para adotar um sistema de energia fotovoltaica, é preciso, antes de tudo, criar um projeto que irá determinar onde e como será feita a instalação e qual é a necessidade energética do imóvel. O projeto é feito por uma empresa qualificada e leva cerca de uma semana para ficar pronto. Depois, a proposta é encaminhada à concessionária de energia para aprovação. Vencida esta etapa, é feita uma vistoria, e só então é autorizada a instalação. Apesar de burocrático, algumas medidas recentes ajudaram a tornar o processo mais eficiente. Segundo Lehmert, uma resolução publicada pela Aneel reduziu de 82 para 34 dias o prazo máximo para aprovação dos projetos nas concessionárias. Conforme Perkowski, a instalação residencial leva em torno de quatro a cinco dias, de acordo com o clima, e exige poucas alterações no imóvel. Os altos custos de investimento ainda são o principal empecilho para o uso da tecnologia. Em média, um sistema com seis módulos (200 kWh/mês de potencia) custa entre R$ 14 mil e R$ 17 mil reais. Entretanto, Lehmert destaca que os avanços rápidos da tecnologia têm impulsionado quedas de preço nos últimos anos. “A desvalorização do dólar influencia muito”, comenta. Como forma de incentivo, alguns estados estão oferecendo a isenção de impostos como o ICMS para quem adotar o sistema. No Estado, a isenção ainda não acontece, mas há uma pressão do setor. Em março, a Celesc deu início à elaboração de um projeto pioneiro no Brasil que prevê a instalação de mil telhados com energia solar, com investimentos na casa dos R$ 20 milhões. Guilherme e Anne energia fotovoltaica - em

Guilherme Fogaça e Anne Richter recebem relatórios com dados diários e balanços mensais sobre a geração de enérgia do estabelecimento

Negócio sustentável Além de vinhos e cervejas gourmets, o casal Anne Richter e Guilherme Fogaça, proprietários de um empório na região central de Jaraguá do Sul, decidiram oferecer a seus clientes um ambiente sustentável. Há cerca de nove meses, eles investiram em um sistema de energia formado por 58 módulos fotovoltaicos que, em momento de pico solar, chegam a gerar 3,5 mil watts. Na prática, o sistema resulta em uma economia média de 25% por mês na fatura elétrica, que atualmente gira em torno de mil reais. O índice representa uma redução de R$ 250 por mês, ou R$ 3 mil ao ano. O sistema tem capacidade para gerar até 40% de economia. “O intuito foi aproveitar o nosso espaço com um sistema que auxilia na redução dos custos, e ao mesmo tempo apostar no valor agregado da sustentabilidade, a qual complementamos utilizando lâmpadas de LED e sensores de movimento”, explica Fogaça. O investimento foi de R$ 60 mil e o retorno financeiro estimado é de seis anos.

Giovani instalaçao eletrica painel solar energia fotovoltaica - emA instalação residencial do sistema, com painéis solares, leva de quatro a cinco dias para ficar pronta 

      Qualidade garantida O engenheiro eletricista Giovane Chiodini decidiu, há cerca de dois anos, que se quisesse trabalhar com a instalação de painéis solares, era preciso primeiro comprovar a eficiência do sistema por conta própria. Na época, ele investiu cerca de R$ 14 mil na instalação de seis placas que, juntas, possuem capacidade média de produção de 200 kWh/mês. Desde então, a conta de energia passou de uma média de R$ 350 para cerca de R$ 160 por mês, uma economia de mais de 50%. “Instalei um sistema semelhante na casa dos meus pais, e como lá o consumo de energia é baixo, houve meses que eles pagaram apenas a taxa mínima cobrada pela Celesc, que é de R$ 16”, conta Chiodini. “Se você pensar bem, é um investimento que só traz ganhos. Hoje pagamos R$ 15 mil em um carro e daqui a pouco ele não vale mais nada. A energia solar é como uma poupança, ela vai trazer retorno financeiro por anos”, exemplifica o engenheiro, que já planeja ampliar seu sistema.  

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Você sabia? A média de radiação solar registrada em Jaraguá do Sul é 4,5 a 4,8 kWh por metro quadrado. Para se ter uma ideia, alguns dos pontos com maior incidência de sol da Alemanha registram radiação de 3,6 kWh por metro quadrado. Mesmo assim, a Alemanha está entre os países que mais utilizam a energia fotovoltaica, com mais de 30 gigawatts de capacidade instalados.