Foram as pequenas e médias empresas de Santa Catarina quem mais sofreram com a paralisação nacional dos caminhoneiros no Estado. A informação faz parte de uma ampla pesquisa realizada pela Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina), por meio do Observatório da Indústria. Os dados referem-se até o dia 29 de maio. Mais de 905 empresas foram ouvidas, e os efeitos que a ação dos caminhoneiros causou na economia do Estado são desastrosos: 69% das indústrias de Santa Catarina foram muito ou totalmente afetadas pela greve.

A nível nacional, o prejuízo já ultrapassa os R$ 40 bilhões. Em toda Santa Catarina, 18% das empresas pesquisadas ficaram totalmente afetadas com as manifestações e tiveram que parar suas atividades temporariamente. Neste caso, foram as grandes e médias empresas quem mais sofreram.

Os prejuízos ainda são incalculáveis, como destaca o vice-presidente da Fiesc, Mário Cezar de Aguiar. “Houve um prejuízo enorme, ainda não temos como quantificar, porque além de ter muito caminhão parado, o reflexo da greve vai se estender por muito mais tempo”, comenta.

"Todos saem perdendo com esta greve: o setor produtivo, os governos que deixaram de arrecadar, e até os caminhoneiros que perderam fretes neste período", vice-presidente da Fiesc, Mário Cezar de Aguiar | Foto Fernando Willadino

Aguiar destaca que a Fiesc, desde o início das manifestações, se preocupou como a paralisação iria refletir na economia do país e buscou diálogo com as autoridades. “Nós inclusive até entramos na Justiça para pedir que o bloqueio não atrapalhasse o escoamento da produção catarinense. A resposta veio, mas demorou para a decisão ser cumprida. A negociação do Governo com os caminhoneiros foi muito mais lenta do que o necessário. O resultado: saiu perdendo o setor produtivo, os governos que deixaram de arrecadar, e até os caminhoneiros que perderam fretes neste período”, ressalta.

Demissões

A pesquisa da Fiesc também aponta que a greve dos caminhoneiros, certamente causará demissões na indústria. Pelo menos 4,44% das empresas pesquisadas avisaram que teriam que demitir funcionários para reorganizar o orçamento. 31% delas preferiram dar férias coletivas e e 8,89% férias coletivas, seguidas de desligamento.

O que preocupa é que das 905 empresas pesquisadas 174 são do Litoral Norte e Norte de Santa Catarina e outras 281 do Vale do Itajaí. No Norte, 50% das empresas declaram que foram muito afetadas pelas manifestação dos caminhoneiros. E apenas 2,3% delas não sofreram nenhum impacto com a paralisação.

Vale do Itapocú

Na região do Vale do Itapocu, folgas compensadas e férias coletivas estão sendo cotadas, como destaca o vice-presidente da Fiesc para o Vale do Itapocu, Célio Bayer. “Em Jaraguá pelo que sei, algumas empresas com problemas de suprimentos, darão folga e compensarão com banco de horas, para atender seus clientes. Outras com altos estoques, farão férias por 10 dias”, explica.

Entre as empresas afetadas por problemas de abastecimento de matéria-prima e de escoamento de mercadorias, o grupo Marisol optou por dar folgas para alguns setores através do banco de horas. A WEG deu folga na sexta-feira para as atividades que foram afetadas na unidade de Jaraguá do Sul, e foram concedidas férias coletivas para os setores mais prejudicados de Blumenau. As atividades devem ser retomadas com a normalização do fluxo.

Em 28% das empresas de grande porte, as perdas estimadas com os nove primeiros dias da paralisação ultrapassam 30% do faturamento mensal.  Em 30% delas, houve paralisação total das operações. 81% delas pretendem retomar as operações em até 20 dias - na região norte do estado, 9,9% das empresas devem levar mais de três semanas até que a normalidade seja retomada.

Os dados completos da pesquisa da Fiesc podem ser acessados aqui.

*Com colaboração de Pedro Leal, da Rede OCP News