Dia do Abraço é comemorado de forma diferente no Hospital São José
Dia do Abraço é comemorado de forma diferente no Hospital São José

Quanto bem faz um abraço e quanta falta ele faz, especialmente neste período de distanciamento social?

Nesta sexta-feira é celebrado o Dia do Abraço e a data não passou em branco no Hospital São José, em Criciúma.

A data, que poderia ser um dia comum, abre espaço para pensar o quanto este gesto simples faz falta nos dias de hoje.

A saudade, o afeto, o carinho, o amor e a empatia ganharam novas formas de serem demonstrados e novas maneiras foram adaptadas para mostrar os sentimentos, tudo sem perder o carinho e a representatividade do gesto.

“O abraço é muito representativo na nossa cultura, mas ele é só uma das formas de demonstração de afeto que podemos realizar. Hoje, talvez o melhor jeito de demonstrarmos nosso carinho por alguém, é colocando em prática as orientações de prevenção da Covid-19. Quando não cuido de mim, dos meus atos, estou dizendo ao outro que não me importo com as consequências, ou seja, que não me importo em causar algum mal”, explica a psicóloga do HSJosé, Josiane Javorski.

Nesta sexta-feira é celebrado o Dia do Abraço e a data não passou em branco no Hospital São José, em Criciúma / Fotos: Divulgação

“Além disso, cada um de nós tem maneiras específicas de demonstrar sentimentos. Os cinestésicos, ou seja, que gostam mais de toque, podem descobrir através das palavras (escritas ou faladas em vídeo), um novo jeito de se manter afetivo. Mas esta é só uma das possibilidades. Quem tem mais intimidade vale até perguntar como o outro gostaria de receber carinho, que não por abraços, por exemplo. Às vezes deixamos de conhecer melhor nossas pessoas porque nos comunicamos mal”, complementa.

Segundo a psicóloga hospitalar do HSJosé e mestre em saúde coletiva, Fernanda de Souza Fernandes, o cenário que estamos vivendo e a necessidade de colocarmos em prática as orientações que recebemos do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde e, pensando que o abraço também está neste contexto de ações que devem ser evitadas, abrimos espaço para acessar as habilidades criativas de cada um para expressar os sentimentos.

“Não é só para que a gente se reconheça, como para que possamos comunicar para as pessoas como nós nos sentimos com relação a elas e em relação ao mundo. Por isso as expressões de carinho, saudade, gratidão e de amor são fundamentais”, explica Fernanda.

De acordo com a psicóloga, as pessoas têm buscado muitos recursos, como as chamadas por vídeo e outras formas diferentes para estarem presentes, com todos os cuidados necessários.

“As pessoas estão usando mais o olho no olho, se expressam artisticamente, por pintura, desenho, poesia ou histórias. Os recursos religiosos também se tornaram ainda mais importantes, assim como uma presença maior nas redes sociais. São recursos que estão ao nosso alcance e que expressam os sentimentos, assim como um abraço”, garante Fernanda.

No HSJosé, por exemplo, para celebrar o Dia do Abraço, foram desenvolvidas pelo setor de Marketing da instituição figurinhas de WhatsApp especiais para a data, além de cards que podem ser enviados virtualmente a quem se ama, dando assim, um abraço virtual.

Importância de demonstrar afeto

Mesmo sem o abraço para mostrar o que se sente, demonstrar carinho e atenção pelo outro faz diferença e existem outras formas de fazer as demonstrações de afeto, sem o toque.

“Nós somos seres de relacionamento. Muito do nosso bem-estar vem da nossa interação com o meio e com as pessoas que nos cercam e sentir-se querido é uma das maiores aspirações dos seres humanos. Assim, praticando a empatia, estamos “dizendo” às pessoas que nos importamos uns com os outros e certamente esta ação está entre as boas estratégias de enfrentamento da pandemia, este compartilhar medos e angústias com bons ouvidos também”, garante Josiane.

Segundo a especialista, a empatia é considerada uma habilidade de inteligência emocional e é hora de ela sair do discurso para a prática, em todos os sentidos.

“Estudos de saúde mental realizados com profissionais de saúde em outras epidemias mostraram que aqueles que estão na linha de frente tendem a sentir os efeitos de forma ainda mais intensa do que colegas de outras áreas. Praticar a empatia com esta parcela do grupo é uma grande forma de demonstração de carinho, para além do contato físico”, enaltece a psicóloga.

A mesma ideia é compartilhada por Fernanda.

“Demonstrar o carinho pelo outro faz toda a diferença. É uma forma de nos sentirmos vivos, é um autorreconhecimento e reforça a necessidade de sermos reconhecidos. Isso é muito importante para a construção e a manutenção da nossa identidade”, finaliza.