Corupá estuda a implantação do seu primeiro espaço de resgate histórico: batizado inicialmente de Museu Ferroviário Trilhos de Hansa. A intenção é preservar uma memória que faz parte das origens de muitos moradores e do desenvolvimento do município.

“A rede ferroviária girava no município, temos muitas famílias de ferroviários. Eu sou filho de ferroviário. A gente tem uma raiz muito grande e o pessoal sempre cobrou para resgatar essa história”, explica o secretário de Turismo, Esporte e Lazer da Prefeitura de Corupá, Loriano Rogério Costa, mais conhecido como Kutcha.

Foto da antiga estação na década de 1930 | Foto Arquivo

O museu deverá ser mantido pelo próprio município. É estudada a implantação no atual prédio da Prefeitura, na área central, que será liberado com a mudança do gabinete e secretarias para o novo paço. Mas também é verificada a possibilidade de utilização de algum prédio da ferrovia.

O acervo será montado com fotos e documentos que serão coletados com a comunidade. Segundo Kutcha, muitas pessoas buscam a Prefeitura querendo doar esses itens.

Passageiros embarcam em Hansa na década de 1920 | Foto Arquivo

Além da importância histórica, o museu também terá um viés turístico. O secretário comenta que desde o retorno dos passeios de Maria Fumaça, os trilhos voltaram a ter um valor para a economia local.

O transporte de passageiros foi retomado nos últimos anos com caráter turístico pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária.

Maria Fumaça resgata transporte de passageiros com viés turístico | Foto Eduardo Montecino/PMJS

Em torno de 400 pessoas chegam a circular pelo município na saída e após o trajeto - que acontecem em Corupá e Rio Negrinho. Todos os passeios para este ano já estão lotados.

Isso motivou, inclusive, a abertura de uma feirinha de artesanatos que tem movimentado produtos à base de banana, como doces e fibra de bananeira. Um artesão local inclusive passou a criar miniaturas de Maria Fumaça em madeira para vender como lembrança do passeio.

Passeios levam centenas de turistas a Corupá | Foto Arquivo OCP News

Outro projeto estudado pela Prefeitura é a criação de uma praça com réplica da locomotiva para estimular os turistas.

Do passado aos dias atuais

A história de construção da linha férrea que passa pela região começa em 1889, quando é fundada a Cia. Estrada de Ferro São Paulo–Rio Grande, que em 1901 obtém a concessão para construção do ramal São Francisco do Sul.

Em 1905 iniciam os trabalhos e o material para a construção chega através do porto de São Francisco. A chegada do trem no Distrito de Jaraguá pela primeira vez aconteceu no dia 23 de junho de 1907. A locomotiva “Lauro Müller” chegou até a pequena estação telegráfica, local de embarque do pessoal da ferrovia.

Foi só em julho de 1909 que foi finalizada a estação de Jaraguá. Também foram construídas as estações de São Francisco, Joinville e Hansa, como era chamada Corupá.

O trem e estação, possivelmente na década de 1930 | Foto Arquivo

Em 1910, a linha do trem foi prolongada até Hansa. A chegada do primeiro trem foi o grande e decisivo acontecimento para a pequena cidade, e com ele veio muito material para a continuação da ferrovia serra acima.

Apenas em 17 de setembro de 1917 foi entregue a obra completa de Porto União a São Francisco do Sul. Um total de 453 quilômetros.

A partir de fevereiro de 1944 até o início de 1991, a “Litorina” fazia o percurso diariamente, em diversos horários, entre Corupá e São Francisco do Sul. O trem de passageiros possibilitou a viagem da região aos grandes centros, como Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro.

Naquela época, o trem foi decisivo também para o movimento dos negócios locais e para a venda de produtos regionais para fora.

Atualmente o transporte sobre trilhos está distante da população por não ter mais o caráter de abastecer as cidades, propriamente, mas por mover grandes cargas para exportação.

Foto Arquivo OCP News

Apesar de ser mais extenso, atualmente o trecho que está em atividade tem 212 quilômetros, indo do porto de São Francisco do Sul até Mafra. A cidade é um importante ponto de cruzamento, ligando essa linha férrea com o Tronco Principal Sul – ferrovia que vai da Estação Pinhalzinho, na divisa dos estados de São Paulo e Paraná; até a Estação General Luz da Linha Porto Alegre-Uruguaiana, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Neste trecho, são 12 estações, quatro na região – uma em Guaramirim, duas em Jaraguá do Sul: uma no Centro Histórico e outra em Nereu Ramos; e uma em Corupá.

Atualmente, a ferrovia é de concessão da empresa Rumo, que em 2019 movimentou mais de 1,7 milhão de toneladas de produtos na região. Naquele ano, 1.522 trens percorreram o trecho carregando produtos como milho, soja e adubo.

 

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