No caminho entre um dos estacionamentos no Campus David Ferreira Lima, no bairro Trindade, até o auditório Garapuvu, no Centro de Cultura e Eventos, na tarde desta quinta-feira (22), não havia clima de eleições na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Embora houvesse um cartaz com os números dos candidatos à reitoria da universidade em uma das passagens, algumas pessoas sequer sabiam que ocorreria o último debate a partir das 13h30min, antes da eleição marcada para a próxima quarta-feira (28). Os candidatos que concorrem à cadeira são professores e diretores de centros que construíram suas vidas na academia: Edson De Pieri, diretor do Centro Tecnológico (CTC); Irineu de Souza, diretor do Centro Sócio-econômico (CSE); e Ubaldo Balthazar, diretor do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ) e então reitor temporário. Ele assumiu a função pouco tempo depois do suicídio do ex-reitor Luiz Carlos Cancellier, em 2 de outubro do ano passado. Como bem colocou o então reitor temporário e candidato Ubaldo Balthazar, os que ocuparam o auditório para acompanhar o debate, que também foi transmitido pela TV da Universidade, já estavam com voto definido. As divisões entre os times eram claras e competiam por meio da força dos coros e aplausos e pelas cores das camisetas. O evento que durou cerca de três horas iniciou com manifestação organizada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE). O movimento dos alunos contou com a participação de aproximadamente 30 estudantes e solicitou, entre as reivindicações, mais atenção ao problema da falta de vaga em moradia acadêmica. Além dos alunos, um representante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) também pediu a palavra e discursou sobre o Dia Mundial da Água comemorado nesta quinta-feira. O debate entre os três candidatos foi amistoso e com pouco enfrentamento - registrado apenas no quarto bloco, quando puderam elaborar perguntas uns aos outros e trazer à mesa o assunto que mais inflama a universidade: a Operação Ouvidos Moucos desencadeada pela Polícia Federal em 14 de setembro do ano passado, que investiga desvio de verba em cursos de ensino à distância e culminou na prisão de Cancellier. O tema foi provocado pelo professor De Pieri, que questionou a falta de prioridade e levantamento detalhado do caso. “Hora, vejam, temos seis professores que ainda estão fora da Universidade, vários acusados de ter feito a delação e, no entanto, a UFSC está à reboque da Polícia Federal”, criticou. “Nós não estamos à reboque de órgão algum. Estamos trabalhando em conjunto com alguns órgãos para poder esclarecer o que for possível. Acionamos a OAB para acompanhar o que está acontecendo”, defendeu Balthasar.       Até o terceiro bloco, as explanações de ideias ocorreram em ordem e de acordo com temas pré-definidos que envolveram questões de assistência estudantil, autonomia e democracia, fundações e condições de trabalho. A segurança e a presença da polícia no campus foi um dos temas que dividiu opiniões. “A Universidade também é frequentada por assaltantes e pessoas que cometem estupro. Nesses casos, não vejo problema algum da entrada da polícia quando chamada, dentro de um protocolo que proteja não só as pessoas, mas nossos agentes de segurança”, disse De Piere. “Sou contrário à polícia no campus e favorável ao restabelecimento do cargo de segurança universitário. Claro que a polícia poderá fazer seu papel no entorno e nas vias públicas. Também podemos de usar a tecnologia, mas é preciso ter autonomia universitária para dar segurança necessária”, argumentou Irineu de Souza. “A polícia não pode entrar quando bem entender aqui na Universidade. Mas temos que ter claro que a nossa segurança tem limites no exercício da atividade, ela não pode lavrar o flagrante de um crime. Não vejo problema nenhum em chamar a polícia quando for necessário”, defendeu Balthasar. Um dos problemas que parece mesmo incomodar a comunidade acadêmica é o refeitório principal, que prepara cerca de oito mil refeições só no almoço. O assunto surgiu duas vezes entre as perguntas sorteadas pelo jornalista e mediador da mesa, Paulo Roberto Santhias. Se houver embate para segundo turno, a eleição se repetirá em 11 de abril. Porém, a candidatura dependerá de aprovação do Ministério da Educação (MEC).