A relação entre o torcedor e um clube é algo único. Um sentimento que muitas vezes é até difícil de descrever. Alguns utilizam as camisas como um bom modo de contar as histórias, seja qual for a agremiação.

E quando se trata de colecionadores, as peças contam não só o passado e presente do time do coração, como da própria vida.

É o caso de Jonas Rabuske, morador de Jaraguá do Sul. Fanático pelo Jaraguá Futsal, o eletrotécnico tem um acervo - que não tem limites para terminar – de dar inveja. Ao todo, são 75 camisas que já foram utilizadas pela equipe ao longo de sua história.

A coleção conta com peças de conquistas marcantes do Aurinegro, como dos tempos gloriosos da ‘Era Malwee’, em que o clube empilhou títulos durante quase uma década. A preferida de Jonas é justamente de um ano deste período. E por um motivo bem claro.

“A que mais me marca, principalmente pelo estético visual e por ser de um time histórico é a de 2009, a preta com dourado. Para mim, é a camisa mais bonita, com o melhor templete já feito pela Umbro, poucos patrocínios, além de ter sido de um time fantástico”, contou.

Camisas 12 e 10 da temporada 2019 | Foto: Lucas Pavin/Avante! Esportes

Mas para os colecionadores não basta apenas a beleza. Todos os detalhes tornam a camisa uma peça única. E assim como acumula vestimentas de times recentes do Jaraguá, a coleção de Jonas traz peças raras.

O maior exemplo é o seu modelo mais antigo, do ano 2000, da ‘Era Breithaupt/Caraguá’, em que o clube começava a se destacar no cenário estadual, mas nunca imaginava o gigante que se tornaria mais tarde.

O acervo é tão rico que Jonas possui, pelo menos, uma peça da equipe jaraguaense de cada ano deste século.

Foto: Lucas Pavin/Avante! Esportes

Tudo adquirido a base de pesquisa em grupos de venda no Facebook, grupos de colecionadores e contato com os próprios jogadores.

“Comecei comprando (camisa) em um jogo na Arena, depois fui achando outras e quando vi já estava procurando as que ainda não tinha. Muitas podem ser comuns, mas sua história e como consegui ela se torna especial”, relatou.

Paixão enraizada no Rio Grande do Sul

Para colecionar tantas camisas de um clube que não tem uma história tão longeva como o Jaraguá, você pode imaginar que Jonas Rabuske nasceu, cresceu e acompanhou o futsal da cidade desde pequeno.

Nada disso. O torcedor de 26 anos não é daqui e sequer passou a maior parte de sua vida no município ao Norte catarinense.

Gaúcho de Uruguaiana, Jonas começou a acompanhar futsal pela televisão em 2005, época em que a modalidade estava em alta, com a seleção brasileira tendo seus jogos transmitidos no programa ‘Esporte Espetacular’, da Globo, e a Liga Nacional na RedeTV!

Foto: Lucas Pavin/Avante! Esportes

Como muitos jogadores do Jaraguá formavam a base da seleção, o carinho pelo time começava ali, mesmo que há mais de 1.200km de distância.

Mas não só por isso. Outro ponto, talvez o principal deles, para tamanha ligação tem um nome: Falcão.

“Minha principal referência para chamar atenção foi o Falcão por tudo que ele fazia em quadra. Tanto que hoje tenho muitas camisas dele pós-Jaraguá. O que ele jogou naquela época é fora do normal”, afirmou.

Jonas tem quase 30 camisas só do craque | Foto: Lucas Pavin/Avante! Esportes

Além do talento de jogadores como Falcão, a torcida também sempre chamou atenção de Jonas como telespectador, o que foi aumentando seu desejo de assistir um jogo do Aurinegro ‘in loco’.

E o apreço pelo clube foi crescendo tanto que ele decidiu se mudar para cidade. Após conseguir uma bolsa de estudos em uma universidade do município, ele virou cidadão jaraguaense em 2018 e passou a acompanhar assiduamente o seu time do coração.

“Acompanhando de longe, eu tinha um carinho e uma simpatia, mas quando vim para cá senti que esse era meu lugar e onde devia torcer. Me senti representado nessa torcida e desde o primeiro jogo que fui na Arena deixei de ser um simpatizante para virar um torcedor, confirmando que aquela paixão era verdadeira”, destacou.

Encontro com ídolos

Além das pesquisas, o contato com os jogadores foi fundamental para Jonas aumentar sua coleção de 50 para 75 peças somente neste ano.

E através de uma dessas conversas, o agora jaraguaense ganhou a oportunidade de conhecer alguns dos seus ídolos muito de perto.

Com ajuda de Dudu, ex-goleiro na ‘Era Malwee’, que lhe forneceu a camisa da ‘Breithaupt/Caraguá’, o colecionador conseguiu reunir na Arena e expor toda sua coleção a nove atletas que fizeram, sendo alguns ainda fazendo parte da história do clube.

Torcedor com alguns dos seus ídolos | Foto: Lucas Pavin/Avante! Esportes

Além de Dudu, estiveram presentes os goleiros Franklin e Paulinho Friedmann, os fixos Leco, Chico, Junai e Xande, além do ala Marcio e o pivô Eka.

“Para ser sincero, ainda não estou acreditando. Planejei tudo orquestrado em casa e deu tudo certo. Eles conversando comigo, dando detalhes das camisas e da história é mais um sonho sendo realizado. Posso dizer que esse encontro foi o ponto alto da minha vida como colecionador”, declarou.

Para os jogadores, não há satisfação maior do que o carinho e reconhecimento do torcedor como Jonas, que segundo Chico, deixou o dia mais alegre para todos que estiveram no reencontro.

“Acho que a alegria maior é nossa (jogadores) do que dele (Jonas) por tudo que ele fez por nós. Nunca conseguimos mensurar onde chegamos com o nosso time. Foram anos maravilhosos e a nossa satisfação é poder ter cativado tanta gente pelo nosso trabalho”, disse.

O grande acervo também trouxe surpresas, mesmo para quem viveu tanto tempo de clube e segue na ativa, como Leco.

“Muitas camisas eu nem lembrava que tínhamos usado. Minha mãe ainda tem muitas camisas desde 2000, mas a coleção do Jonas tem peças raras. Ficamos impressionados. É uma recordação muito boa”, enfatizou.

A paixão de Jonas Rabuske, iniciada no Rio Grande do Sul, e hoje transformada em uma coleção de camisas é uma das grandes amostras da história gigantesca e da representatividade do Jaraguá Futsal no âmbito nacional e mundial.

Foto: Lucas Pavin/Avante! Esportes