O nome oficial do Maracanã pode não ser mais "Jornalista Mário Filho". A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou a mudança para "Edson Arantes do Nascimento - Rei Pelé".

A alteração oficial ainda depende da aprovação do governador em exercício, Cláudio Castro, que tem até 15 dias úteis para sancioná-la.

Em caso de aprovação, o nome de Mário Filho seguirá no ginásio Maracanãzinho e o estádio de atletismo Célio de Barros, que englobam o complexo esportivo.

“A utilização de nomes de pessoas vivas nos bens pertencentes ao patrimônio público tem sido uma preocupação da sociedade para zelar pelo que é de todos e impedir a privatização do patrimônio público. Mas, nesse caso, essa é uma justa homenagem a uma pessoa reconhecida mundialmente pelo seu legado no futebol brasileiro e pela prestação de relevantes serviços ao nosso país”, justificou o deputado André Ceciliano (PT), autor do Projeto de Lei.

A possível mudança gerou indignação na família Mário Filho. “Lamentável essa atitude. Uma barbaridade. Tiraram com uma canetada. Eu não vou brigar com quem não conhece Mário Filho, não conhece nada de esportes. Tô chateado, mas não vou levar à frente”, disse Mário Neto, também jornalista e neto de Mário Filho.

Foto: Bruno Lordello

Mário Leite Rodrigues Filho nasceu no Recife, em 3 de junho de 1908, e morreu no Rio de Janeiro, em 17 de setembro de 1966.

Irmão do dramaturgo e escritor Nélson Rodrigues, ele atuou no Jornal dos Sports, de sua propriedade, onde coordenou a campanha pela construção do Maracanã.

No final dos anos 40, Mário lutou pela imprensa contra o então vereador Carlos Lacerda, que desejava a construção de um estádio municipal em Jacarepaguá para a realização da Copa do Mundo de 1950.

Mário conseguiu convencer a opinião pública carioca de que o melhor lugar para o novo estádio seria no terreno do antigo Derby Club, no bairro do Maracanã, e que o estádio deveria ser o maior do mundo, com capacidade para mais de 150 mil espectadores.