Professores marcam a vida de muitas pessoas por transmitirem algo muito valioso: o conhecimento. Diversos profissionais na área servem de exemplo por sua conduta perante aos alunos. E uma jaraguaense que dedicou grande parte da sua vida ao esporte é a prova viva desta ligação. Aos 53 anos, sendo 28 dedicados à educação física, Cornélia Holzinger Caglioni anunciou recentemente sua aposentadoria, cravando seu nome como uma das maiores formadoras de talentos do esporte municipal, após uma carreira consagrada de atleta e repleta de conquistas no atletismo. O esporte e a vida acadêmica sempre estiveram atrelados na trajetória de Cornélia. Quem conhece a história da velocista jamais consegue imaginar que seu início tenha sido no handebol. Assim como quase todos os brasileiros, ela descobriu o prazer pela prática esportiva muito cedo e chegou até a se destacar na modalidade que escolheu. Porém, um convite em 1979, do então técnico e hoje marido José Augusto Caglioni, mudou a vida da jaraguaense. Ao ser convidada para realizar testes sem compromisso no atletismo, ela acabou se apaixonando e resolveu trocar de esporte no começo dos anos 80. O talento observado pelo treinador rendeu frutos logo na primeira temporada, quando ela conquistou uma medalha de bronze nos 100m com barreiras dos Jogos Abertos de Santa Catarina (Jasc), sediado em Jaraguá do Sul. O futuro nas pistas até foi colocado em cheque no fim daquele ano, quando seus pais se mudaram para Brusque, local onde a modalidade ainda era pouco difundida na época. Mas a projeção de uma carreira vitoriosa falou mais alto e com apoio dos familiares, Cornélia resolveu permanecer em Jaraguá e passou a morar com a avó. Foi aí, que a educação física entrou na vida da atleta. Para se manter financeiramente na cidade, ela começou a dar aula no segundo grau do Colégio Evangélico Jaraguá, isso com apenas 17 anos. “Sempre quis ser professora, mas não imaginava tão cedo. Tendo o atletismo como grande paixão resolvi treinar e dar aulas ao mesmo tempo, algo que nunca vou me arrepender por tudo que consegui conquistar durante estes anos’, disse. Após se formar em educação física, Cornélia decidiu se retirar por um tempo das aulas para se dedicar exclusivamente à carreira profissional de atleta. A partir daí, competiu pelas equipes de Jaraguá do Sul, Chapecó e Joinville, colecionando mais de 300 medalhas, somando competições municipais, estaduais, nacionais e internacionais.
Cornélia com algumas das medalhas da imensa coleção que ela reuniu ao longo de uma vida dedicada ao esporte, seja nas pistas e quadras como na sala de aula | Foto Eduardo Montecino/OCP
Entre as principais estão os 30 pódios no Jasc, com 25 medalhas de ouro, conquistadas nas provas de 400m com barreiras – sua especialidade -, 100m c/barreiras, 4x100m e 4x400m, além de ser quatro vezes campeã brasileira e uma sul-americana. Como se não bastasse, foi eleita a Personalidade do Século 20 em Jaraguá do Sul por sua excelente performance atlética e condecorada como Atleta do Século na região. Com uma galeria recheada de conquistas, Cornélia se afastou das competições em 1997, depois de receber a notícia de que teria o segundo filho. Após o nascimento de Gabriel, ela chegou a treinar por mais um ano, mas sem entrar em campeonatos, e decidiu se aposentar das pistas, em 1998. Com isso, passou a dar aulas de educação física na Escola Max Schubert, onde permaneceu até o último mês, completando 19 anos na instituição como a professora ‘Coni’, como é carinhosamente chamada pelas crianças. “Foi um período muito emocionante e gratificante por tudo que tive a oportunidade de viver. Minha família, amigos, grupos de trabalho foram muito importantes na minha trajetória. Tudo que conquistei foi graça a essas pessoas e só tenho que agradecer a todos. Foi muito suor e dedicação, tanto no atletismo como na vida acadêmica. Estou um pouco triste por estar parando de dar aulas, mas muito feliz por tudo que vivi nesses anos e as pessoas com quem convivi”, destacou Cornélia, emocionada. Futuro Se engana quem acha que Cornélia terá uma vida menos atarefada com a aposentadoria. Uma das responsáveis pelo primeiro polo do projeto ‘Evoluir’, de Voleibol, idealizado há 17 anos pelo coordenador Benhur Sperotto, e integrante do projeto ‘A Bola da Vez’, de basquete, desde 2010, a ex-atleta e professora manterá vínculo com as modalidades, buscando formar novos talentos na cidade. “Vou continuar envolvida por muito com tempo nos projetos sociais, que tem como principal objetivo a formação do ser humano e a oportunidade de estar com os colegas em um ambiente saudável. Quero ver se consigo colocar mais uma escola como polos, tanto no vôlei como basquete”, afirmou. Mas as metas da jaraguaense não param por aí. Ela ainda deseja seguir outro rumo, que nada tem a ver com o esporte: a veterinária. “Sempre fui apaixonada pelos bichos. Pensei em fazer veterinária, mas hoje não vou fazer mais uma faculdade até porque quero formar meu filho primeiro. Tenho intenção de trabalhar no zoológico de Pomerode como auxiliar de algum setor e pretendo fazer um curso de auxiliar de veterinário ou até cuidar de alguns animais no fim do ano, quando os donos viajam para as férias. Ainda estou pensando no que fazer, mas não vou ficar parada”, garantiu Cornélia.