Aos 28 anos, Tânia Regina Pereira já atingiu o ápice da sua carreira no futebol 7: vestir a camisa da seleção brasileira e conquistar títulos pelo país.

O início até foi na quadra e depois passou para o gramado, mas ela encontrou no “society” a sua real vocação.

Nascida em Joinville e residindo em Jaraguá do Sul desde 2019, a pivô deu os primeiros passos aos 6 anos de idade por incentivo do pai e dos tios.

E o amor pela bola se mostrou natural. Assim que atingiu idade para participar de uma escolinha, passou por uma peneira da Felej (Fundação de Esportes de Joinville) e entrou para equipe de futsal feminino.

Foram oito temporadas defendendo a sua cidade de natal e competindo nos mais importantes eventos estaduais como Olesc, Joguinhos e Jasc.

Taninha (com a bola) em um torneio de society pela Felej | Foto: Divulgação

Quando completou 18 anos, viver do futebol era inviável na época e Taninha, como é conhecida, passou a trabalhar e deixou o esporte apenas como um lazer.

Porém, sempre mantendo o espírito competitivo ao jogar torneios amadores por times joinvilenses e da região, além de um Campeonato Catarinense de campo pelo Fluminense do Itaum.

Até que, em 2017, surgiu o futebol 7 em sua trajetória. E desde então, o sucesso passou a fazer parte da rotina da ‘nova jaraguaense’.

De SC para o mundo

O Sem Maldade FC, de Joinville, foi o primeiro clube de Taninha na modalidade, disputando competições dentro e fora de Santa Catarina.

A adaptação à grama sintética foi tão rápida, que um ano depois, ela já recebia sua primeira convocação para seleção brasileira de futebol 7.

De lá para cá, já foram seis vezes que o nome da pivô apareceu na tão sonhada lista. Não só isso. Nesse período, ela acumula seis títulos pelo Brasil, sendo bicampeã do mundo, e das Copas América e das Nações.

Pivô com o troféu da Copa do Mundo | Foto: Divulgação

O talento fez a jogadora ser disputada por algumas equipes nacionais. Com a falta de apoio, o Sem Maldade encerrou seu projeto após três anos e Taninha acertou com o Avaí JR, onde logo ajudou o time catarinense a levantar a taça da Copa do Brasil de 2020.

Depois do título, o técnico Maicon juntamente com a esposa e presidente Micheli fecharam uma parceria com o Vasco da Gama e todo elenco do Avaí, - formado basicamente por atletas do sul do país -, passou a vestir as cores do cruzmaltino.

E a galeria de conquistas só aumentou. Em 2020, o Vasco da Gama/JR foi campeão do Carioca, Liga Nacional e vice da Liga das Américas, considerada uma Libertadores do Fut7, torneio no qual Taninha já havia conquistado em 2018 numa breve passagem pelo Figueirense.

Taninha com a camisa do Vasco | Foto: Divulgação

Feitos que transformaram o clube carioca em número 1 do ranking brasileiro, além de preencher os sonhos de Taninha em sua jornada no esporte.

“Meu sonho foi realizado, que era defender minha nação. Coleciono títulos expressivos pelo Brasil, que no meu ponto de vista é uma marca muito difícil de bater. Conquistar seis títulos pelo seu país é motivo de muito orgulho. Espero poder contribuir por muito tempo dentro da modalidade, seja ela no clube ou na seleção”, disse.

Crescimento do futebol 7

Assim como em várias modalidades, o futebol 7 feminino no Brasil ainda sofre com a falta de apoio.

O Vasco é um ponto fora da curva e chega a fornecer um salário mensal para algumas jogadoras, como Taninha. Tudo graças ao técnico Maicon, grande incentivador da modalidade.

Ainda assim, a moradora de Jaraguá do Sul não vive exclusivamente do futebol e trabalha como promotora de vendas na cidade. Uma realidade, que segundo ela, pode estar mudando.

Ainda não podemos viver apenas do futebol, mas a luz no fim do túnel está cada vez mais próxima. Desde que entrei no futebol 7 feminino, a modalidade teve um salto gigantesco e hoje busca igualdade entre homens e mulheres, proporcionando campeonatos de alto nível. Isso é uma grande conquista e tenho certeza que vai crescer muito mais, pois já é referência no país”, destacou.

Foto: Divulgação

Enquanto essa estabilidade não chega, Taninha segue treinando com as demais companheiras, uma vez por semana, para continuar fazendo história no “society”.

“Temos como principal objetivo conquistar a América e o Mundo. Estamos trabalhando forte para isso. E me sinto honrada em poder defender meu país. Mais feliz ainda em poder representar toda a nossa região. Recebo muito carinho por parte de todos, por me considerarem um exemplo por aqui”, finalizou.