A eliminação na primeira fase da Série D do Campeonato Brasileiro já é página virada no Juventus.

Três dias depois do empate com o Caxias, pela última rodada da competição nacional, o elenco comandado por Tuca Guimarães se reapresentou aos treinos.

Afinal, não há muito tempo para lamentação, já que o Moleque Travesso estreia na Copa SC na próxima quarta-feira (15), contra o Figueirense, às 20h, no estádio Orlando Scarpelli, em Florianópolis.

E a equipe jaraguaense entra em seu quarto torneio na temporada com o mesmo grupo que terminou a Série D. Pelo menos, no primeiro momento.

“Quando fizemos o planejamento antes da primeira Copa SC queríamos evitar desmanche ao término de um campeonato e montamos contratos até fim do ano. Tivemos baixas (durante a temporada) por vontade própria dos jogadores. Com o termino da Série D, nenhum atleta por enquanto deixa o clube. Todos se apresentaram e estão à disposição”, destacou o gerente de futebol, Rafael Gomes.

Além de manter a base, a diretoria deve contratar de dois a três reforços para qualificar o elenco.

Tudo com o objetivo de chegar forte para buscar o título da Copa SC, que dá a tão sonhada vaga à Copa do Brasil.

“Possibilidade e condições de ser campeão nós temos. Temos a oportunidade de corrigir e junto com a situação financeira, vamos conseguir qualificar o elenco. Vamos errar, acertar, mas sempre buscando o melhor. Então vamos pra cima e precisamos trazer um grande resultado. O que vai nos dar o êxito de todo trabalho nessa Copa SC é o título”, disse o presidente de futebol, Hudson Jr.

Em entrevista exclusiva ao OCP, Hudson ainda foi abordado sobre outros assuntos, como uma avaliação da Série D, falta de recursos, cobranças e muito mais. Confira:

Avaliação Série D

“Saímos frustrados, porque sabíamos que poderíamos ter seguido adiante. Mas numa avaliação no modo geral, é o primeiro ano que temos a oportunidade de ter um elenco somente para se corrigir. O clube não participava de uma competição nacional desde 1996 e enfrentamos alguns percalços. Demoramos para se adaptar contra o pessoal do Rio Grande do Sul, já do Paraná fomos bem, porque eles também gostam de jogar como nós. Não ganhamos do Rio Branco, mas pegamos no começo do campeonato aqui, eles jogaram fechados e empatamos. Lá, tivemos a dificuldade do campo, não é desculpa, porque foi para todos, e não tivemos a competência de ter êxito da vitória, que estava na mão. São coisas que considero, num modo geral, como aprendizado de que temos que valorizar bastante o entorno do futebol, buscar mais informações sobre os adversários que vamos enfrentar e saber trabalhar um pouco melhor. Então considero a participação satisfatória, mas com a frustração por saber que poderíamos ter ido adiante”

Falta de recursos

“Poderíamos ter ido além, tentamos o máximo possível trazer mais peças no meio da competição para qualificar o elenco, mas futebol é dinheiro e o Juventus tem pouco recurso, vivendo apenas do investimento próprio. Sou gestor, não é um apoio passageiro e futuramente será transformado em clube-empresa dentro da regularização. Hoje, me considero como Juventus investindo no Juventus, mas com recurso muito limitado dentro do que enfrentamos por aí. Conseguimos uma grande vitória que foi a liberação do público para o clube começar a se movimentar. Nosso estádio é um canteiro de obras, porque temos feito muita coisa aqui dentro para ter recursos. Precisamos da participação do público no clube, em eventos, na nossa área de lazer e investimos na Juve Arena para o clube ter mais recursos e investir no futebol”

Dificuldades na busca por recursos

“Acredito que é a distância causada pela pandemia. Nossa ideia é socializar. Quero que o Juventus seja um clube que você possa vir com a família para se alimentar, se divertir e a pandemia travou muito esse convívio social. No setor empresarial, vou falar como empresário. A pandemia veio, muitos tiveram receio de como seria a condição financeira do país e muitos se seguraram. Outros se aproveitaram da desculpa de pandemia para não ver o futebol como investimento. Coloco o Juventus como parceiro de negócio. Aceitem ou não, o Juventus leva um nome forte. Minha vaidade é coletiva e tenho um staff com pessoas maravilhosas. Juventus representa muito bem Jaraguá do Sul e senti muita falta de pessoas que tinham condições de nos ajudar com sua marca. Bato na tecla de nos transformamos em clube-empresa, porque não gosto desse negócio de ficar pedindo. Gosto de uma troca e é o que estamos fazendo aqui, que o clube seja apresentável e respeitado para vincularem a marca”

Confiança na retomada

“Me identifiquei muito com Jaraguá do Sul, porque também sou criterioso com as minhas parcerias. Às vezes sou meio econômico com as palavras, porque gosto de conhecer quem está no meu convívio. E acho que estamos conseguindo virar a página. A pandemia atrapalhou um pouco a proximidade de setor privado, mas o que estão conosco, só temos recebido elogios. Eles tem conseguido resultados satisfatórios com a parceria e vejo que outras empresas virão, não só da cidade, como do entorno, que veem o Juventus como um bom parceiro de negócios”

Técnico Tuca Guimarães

“Quando trouxe o Tuca, falei para ele que precisava chutar no gol, entrar na área. Não adianta eu ter atacante, controle de bola e ela não chegar. Hoje, estamos começando a se impor. Às vezes, somos surpreendidos, mas também estamos chegando. Isso prova que a consistência do elenco, o tempo de trabalho e a preocupação de se corrigir sem vaidade, isso falo da nossa intervenção com a receptividade de pensarmos juntos o que é melhor para o time e conseguir corrigir os defeitos, é uma dádiva muito grande. Tentamos corrigir os problemas do time em conjunto. Nosso time melhorou e chegamos no consenso de que precisamos de um pouco mais de força. E vamos trazer jogadores com esse perfil”

Cobranças

“Fico muito feliz que o Juventus hoje não é spa. Temos cobranças, porque o Juventus pode. Quando cobram é porque tem competência e me sinto valorizado por isso. Não viemos só de passagem. Tem que cobrar mesmo, porque o Juventus pode ir adiante. O Juventus faz frente com time grande. Não quero que ninguém puxe meu saco, só sou contra inverdades e dou resposta para quem é sério. Vamos falar de futebol e assumir nossas responsabilidades quando acertamos e erramos. Agora, a cobrança, muito pelo contrário. Quanto mais nos cobram, mais sabemos que não somos sparring de ninguém. Não entramos em competições só para encher de linguiça, mas para fazer diferente. O pessoal nos respeita, porque estamos fazendo um trabalho bem feito e na evolução. Não chegamos ainda nem a 40% do que queremos”

“Você só cobra de onde se pode tirar. Somos cobrados porque viram desempenho e potencial, como vimos aqui de dentro. Quanto mais cobrança melhor, porque sabemos que estamos no caminho certo e mostramos que a gente pode. Entramos no cenário nacional, estamos indo para quarta competição do ano e isso é muito importante. Com o crescimento, a cobrança será cada vez maior e estamos preparados para isso. Viemos viver e fazer futebol. Gostamos da cobrança, o complicado seria o descaso”, Rafael Gomes.