O esporte criciumense já revelou diversos atletas, que defenderam o país nas principais competições disputadas no mundo todo. O handebol feminino de Criciúma ainda deixa seu marco com o trabalho realizado ao longo dos anos. A atleta da Seleção Brasileira, Isaura Menin, que atualmente defende as cores do Rincón Fertilidad, de Málaga, na Espanha, participou de uma live nesta segunda-feira (20) e relembrou sua passagem pela cidade do Sul de Santa Catarina. A transmissão foi realizada no perfil do Instagram da Associação Criciumense de Handebol Feminino (Acrihf).

Natural de Lucélia, interior de São Paulo, a pivô, de 25 anos, disse que a paixão pelo handebol iniciou em 2005, nas aulas de Educação Física, no período escolar. Em 2011, a atleta recebeu a proposta, conheceu o projeto criciumense e decidiu jogar no Sul do país. "Eu nunca pensei em sair da minha cidade. Mas conheci o projeto e minhas expectativas foram aumentando. Eu pensava em ir para lá e dar um orgulho maior para minha família", disse durante a transmissão.

Responsável pela vinda da atleta ao handebol de Criciúma, o técnico Luís Carlos Vieira, que comanda a modalidade desde 2004 no município, relembrou como foram os primeiros passos da pivô no esporte. "Conheci Isaura no interior de São Paulo, uma menina grande e forte fisicamente, mas o handebol era praticado de forma muito escolar. Apostamos nas características dela e fizemos um convite para que pudéssemos avaliar melhor e propor um trabalho mais qualificado".

Com quatro passagens pela Seleção Brasileira principal, Isaura disputou a última competição representando o país no fim de 2019. A atleta contou também durante a transmissão as experiências vividas vestindo o manto amarelo. "Eu ainda não acredito. Quando eu estou ao lado das colegas de seleção paro e me belisco para ver se é realidade. Não tem explicação. Eu passei por muita coisa e creio que sou merecedora por estar onde estou hoje".

O técnico criciumense falou sobre a alegria de presenciar o sucesso da atleta. "Ficamos felizes, pois podemos afirmar que a Isaura é cria de um trabalho sério e competente desenvolvido por Criciúma, apoiado pela Fundação Municipal de Esportes (FME), a Acrihf e o poder público municipal".

Com as competições paralisadas por conta da Covid-19, Isaura, que no no Brasil também atuou por Concórdia, falou sobre a rotina na Espanha. "Nós vamos no mercado e na farmácia, são os únicos lugares em que podemos ir".

O legado do handebol feminino de Criciúma

Com núcleos em quatro escolas da cidade, a FME e Acrihf atendem 80 meninas em projetos sociais, 30 mulheres em um projeto adulto para não praticantes e contam com 50 atletas de rendimento, desde categorias iniciais até a adulta. A modalidade já conquistou títulos importantes como os seis da Olimpíada Estudantil Catarinense (Olesc), cinco dos Joguinhos Abertos de Santa Catarina, competições estaduais, bronze no Brasileiro Juvenil Cadete e prata no Sul-brasileiro Adulto.

Segundo a presidente da Acrihf, Camila Souza, a intenção da associação é aumentar o número de atletas na modalidade. "Pretendemos dobrar o número de núcleos nas escolas para fomentar a modalidade e formar novos talento nascidos aqui. Quanto a rendimento pretendemos manter o município entre os três melhores do estado em todas competições", destacou.

Camila não escondeu o sonho de ver a equipe criciumense atuando profissionalmente em competições no país. "Queremos voltar a competir Campeonatos Brasileiros na base a partir de 2021 e na sequência projetamos ingressar na Liga Nacional, que é considerada hoje a maior competição do Brasil", finalizou.