Os inúmeros títulos ao longo dos anos e o fomento constante ao trabalho de base tornam o basquete feminino de Jaraguá do Sul uma referência em Santa Catarina.

Mas o sonho de voltar a ser uma potência na categoria adulta, como foi em 2015 na disputa da LBF – principal competição brasileira -, é um dos grandes planos da modalidade.

E um passo importante na busca por esse objetivo pode ter sido dado neste início de 2020. Com passagem pela seleção brasileira de base, a pivô Ana Luiza da Silva Paulino, de 17 anos, chegou à cidade para reforçar a equipe comandada pelo técnico Julio Patricio.

Foto Lucas Pavin/Avante! Esportes

Natural do Rio de Janeiro, a atleta de 1,95m recebeu propostas de grandes clubes do seu estado natal, de São Paulo e até dos Estados Unidos.

Porém, optou por vir a Jaraguá do Sul para cumprir mais uma fase do seu desenvolvimento, antes de alçar voos ainda maiores no esporte.

Mas o projeto apresentado a uma das grandes promessas do basquetebol brasileiro vai muito além das quadras.

Por aqui, Ana Luiza receberá bolsa integral para cursar educação física na faculdade Unisociesc e moradia em um apartamento dividido com outras quatro meninas que jogam no basquete jaraguaense.,

Foto Lucas Pavin/Avante! Esportes

Mas não é só isso. A segurança proporcionada por Jaraguá do Sul foi outro ponto fundamental para ela deixar a família no Rio e tentar dar mais um grande salto na carreira como atleta.

Toda uma estrutura necessária para o talento do basquete nacional se sentir ‘em casa’ após concretizar a assinatura de contrato de um ano com a equipe.

“O grupo e o técnico (Julio Patricio) são muito bons, e estou gostando bastante da cidade também. É bem diferente do Rio, que é muito mais agitado. Estou muito feliz, porque ninguém acreditava que uma pivô de uma cidade grande poderia vir para cá. As atletas, técnico e Secretaria de Esportes estão confiando em mim. Isso me dá mais confiança para jogar”, destacou Ana Luiza.

Do sofrimento à motivação

Quem vê uma menina sorridente e de bem com a vida em todos os treinos, jamais imagina a história de superação que Ana Luiza precisou enfrentar para trilhar um caminho no basquete.

Ela atribui à perseverança sua maior glória. Porque foi exatamente por causa dela que não abandonou o esporte e a autoestima.

Foto Lucas Pavin/Avante! Esportes

Quando entrou na escola, virou vítima de bullying diário, com brincadeiras maldosas dos colegas pelo seu tamanho, visto como fora do padrão na época.

A menina acusou o golpe durante muito tempo e chegava em casa chorando para mãe quase que diariamente. As ofensas a fizeram mudar de escola 12 vezes e quase entrar em depressão, precisando de consultas regulares com uma psicóloga.

Mas o esporte é uma ferramenta poderosa para mudar destinos. E foi o caso de Ana Luiza. Após tentativas frustradas em sete modalidades, ela se encontrou no basquete e viu sua trajetória mudar completamente.

“Muitos esportes não precisavam de gente grande e no basquete me achei. Fui observando as meninas jogarem, tentei e hoje estou aí”, conta.

Foto Lucas Pavin/Avante! Esportes

A primeira experiência no esporte da bola laranja foi em 2017, na escolinha do Sesc Madureira. Apesar do pouco tempo, a qualidade era notória e o professor a levou para treinos mais técnicos no Tijucas Tênis Clube, e, logo depois, no Instituto Mangueira do Futuro.

E nesse último, foi onde tudo começou realmente. Com bolsa de estudos no colégio, se destacou em várias competições e teve a oportunidade de participar do Camp da NBA, na Colômbia, onde participou de uma série de treinamentos e palestras promovidos pela principal liga de basquete do mundo.

A rápida evolução nas quadras gerou o interesse de diversos clubes e da seleção brasileira, a ponto de ser convocada para o Sul-Americano Sub-17 no ano passado, fazendo parte do grupo vice-campeão do torneio, ao lado das jaraguaenses Diana e Pétula.

Com o fim da temporada passada, uma chuva de propostas caiu em sua mesa. Ao lado da mãe Denise Fernandes, escolheu seguir sua grande fase no basquete em Jaraguá do Sul.

Foto Lucas Pavin/Avante! Esportes

As dificuldades em sua formação podem até terem sido gigantes. Mas Ana Luiza fez dos problemas uma motivação para alcançar grandes sonhos no basquete e carrega uma história que serve de inspiração para outras pessoas e mostra que sempre há tempo para recomeçar.

Competições em 2020 e sonhos na carreira

Ana Luiza terá uma grande quantidade de jogos para mostrar seu talento com a camisa do basquete jaraguaense. Estaduais adultos e de base, Jogos Abertos de Santa Catarina e Jogos Escolares da Juventude são apenas alguns dos diversos compromissos ao longo do ano.

Esse número elevado de jogos, aliás, foi outro motivo para a pivô aceitar a proposta de jogar pela cidade, já que no Rio, por exemplo, o Estado não oferece tantos torneios como em Santa Catarina.

“Sou muito competitiva e não gosto de perder. Vim para alcançar um nível maior de quando cheguei e espero melhorar a cada dia que passa. Sei que posso ajudar, mas também vim para aprender com um trabalho novo”, declarou.

Foto Lucas Pavin/Avante! Esportes

A meta por conquistas em Jaraguá é apenas mais um dos grandes sonhos que ela leva em sua trajetória, que vão de dentro para fora da quadra.

“Primeiro quero retribuir tudo que minha mãe fez para mim e dar uma estabilidade para ela. Profissionalmente, quero chegar a LBF (Liga Brasileira Feminina), Euroliga (Campeonato Europeu), WNBA (Liga Feminina dos Estados Unidos), e me superar a cada dia”, afirmou.

Apoiadores com grande expectativa

A vinda de Ana Luiza não anima somente as companheiras, que veem as chances de títulos aumentar ainda mais com sua chegada.

Mas também em quem esteve envolvido diretamente na sua contratação. É o caso do técnico Julio Patricio.

Intermediador da negociação, o treinador vê a pivô de 1,95m com as mesmas características das atletas que já estavam na cidade, formando um casamento perfeito para equipe ter sucesso em 2020.

“A educação, comprometimento e motivação dela (Maria Luiza) impressionam. Isso combina com as outras atletas, por isso, o relacionamento delas já é excelente. Agora vamos ver se na quadra vai render aquilo que imaginamos, porque é um diamante bruto que tem muito a aprender e melhorar. Vamos tentar lapidar para que ela nos ajude e a gente possa ajudar ela”, comentou.

Técnico Julio Patricio e profissionais da Unisociesc como Dilma Montagnoli e Giselle Domingos (D) foram fundamentais para vinda da atleta | Foto Lucas Pavin/Avante! Esportes

Outro responsável direto para chegada da carioca, a faculdade Unisociesc que concedeu bolsa integral é uma das grandes apoiadoras não só do basquete, mas também de outros clubes na cidade, como Jaraguá Futsal e Juventus.

Prefeita de campos da instituição, Giselle Domingos comemorou a vinda de uma atleta tão importante para o esporte do municipio.

“Tenho certeza que ela (Ana Luiza) fez a melhor escolha pela qualidade de vida da cidade. Apostamos muito nesse tripé de educação, esporte e cultura, que trazem um poder transformador na vida dos atletas. Sempre que possível vamos apoiar o esporte, porque queremos formar agentes cidadãos e transformadores da sociedade”, finalizou.

 

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