A série Jaraguaenses Pelo Mundo ganhou um podcast! Agora, você pode ouvir as histórias de pessoas nascidas ou radicadas em Jaraguá do Sul que decidiram abrir as asas e conhecer o mundo.

Escute a história da Eliete Osinski no Podcast Jaraguaenses Pelo Mundo

Idas e vindas

Todo mundo tem um canto do mundo que gostaria de conhecer. Por ser uma leitora ávida da bíblia, Eliete Osinski, 30 anos, sempre demostrou o desejo de explorar Israel e ver de perto os lugares que eram citados no antigo testamento.

Nascida em Papanduva, no Planalto Norte de Santa Catarina, Eliete viveu em Jaraguá do Sul durante 10 anos, antes de se mudar para o país do Oriente Médio.

Imagem da Marina Herzliya, em Israel | Foto Arquivo Pessoal

Eliete saiu de Papanduva para viver em Rio Negrinho e, depois de se formar no Ensino Médio, começou a trabalhar em uma empresa de móveis da cidade.

Eis que em 2007 um terrível acidente fez a catarinense tomar uma decisão que moldasse seu perfil. "Eu não conseguia mais trabalhar, então fui estudar no Paraná, em uma escola de regime integral da igreja católica", conta.

Estudando hotelaria na instituição católica, Eliete lia bastante a bíblia e começou a despertar a curiosidade de saber se os lugares descritos em suas leituras realmente existia.

Em 2009, ela veio para Jaraguá do Sul, trabalhou algum tempo no setor de hotelaria e decidiu mudar de carreira cursando contabilidade na Católica de Santa Catarina.

Noite em Tel Aviiv, a capital de Israel | Foto Arquivo Pessoal

Sua rotina em Jaraguá do Sul era pesada. Dormindo apenas quatro horas por dia, ela começou a trabalhar na área de produção do ramo vestuário. "Depois de um ano dobrando roupas, consegui entrar na minha área", relata.

A decisão de morar em Israel

A curiosidade em conhecer o país do Oriente Médio moveu Eliete a acompanhar sites e grupos de notícias sobre Israel.

Essa aproximação levou ela a conhecer o carioca Thiago Cezar Laignier, de 38 anos. Após meses de muita conversa, eles deixaram a vida virtual de lado e decidiram se encontrar pessoalmente.

Thiago e Eliete em Jerusalém | Foto Arquivo Pessoal

Primeiro, Thiago veio para Jaraguá conhecer Eliete e depois a catarinense foi com ele para Israel, mas sem passagem de volta.

"Foi Deus que mandou esse menino para eu gostar tanto a ponto de ir para o lugar que sempre queria", enfatiza.

Para surpresa da catarinense, sua cidade em Israel, Herzliya, é litorânea e tem lindas praias. Por essa questão, o município tem o clima parecido com Jaraguá do Sul, fazendo muito calor no verão e nem tanto frio no inverno. "Minha adaptação foi fácil, porque o clima é parecido com Jaraguá do Sul", frisa.

Culinária saudável e alimentação judaica

"Maravilhosa", essa é a palavra que Eliete escolheu para definir a culinária israelense. A catarinense conta que grande da população de sua cidade é vegana.

"O povo presa muito pela saúde, o pessoal se cuida e corre bastante. Desde as crianças até os idosos", descreve.

As comidas típicas preferidas de Elite são Humus, Falafel e Shakshuka. O primeiro é uma pasta feita com grão de bico, o falafel são bolinhos de grão de bico temperados, muito apreciados por vegetarianos e veganos.

E o Shakshuka é um prato a base de molho de tomate caseiro, nada de coisas industrializadas, e depois é acrescentado ovos cozidos.

Shakshuka | Foto Divulgação

Por ser um país multicultural, além da culinária local tem muitas coisas que vem de fora. Uma mistura de pratos de países árabes, da Europa e de outros lugares do mundo.

Eliete diz que os judeus religiosos tem uma alimentação diferente, baseada no Kosher, que significa "bom" e "próprio".

O Kosher não é um estilo de culinária, mas sim uma dieta que preenche todos os requisitos das leis judaica.

A regra não permite comer carne de porco em hipótese alguma e é proibido misturar carne com leite e derivados.

"Eu já comi em restaurante Kosher. É bom, mas eu prefiro as misturas de outros lugares do mundo", relata.

A catarinense ressalta que essa lei prevê a saúde da população. Os alimentos Kasher passam por um rigoroso processo até a pessoa consumir esse alimento, com regras para evitar doenças e prolongar a longevidade da população. Não é a toa que Israel está entre os 10 países mais saudáveis do mundo.

Eliete aproveitando a belíssima vista de Haifa, em Israel | Foto Arquivo Pessoal

Exército israelense

Ao completar 18 anos, todos os israelenses, homem ou mulher, recebem uma convocação do exército e servem o país por três anos.

Depois deste período, eles podem ingressar na universidade. Eliete conta que existem casos específicos onde essa regra não se aplica.

"Pessoas com um QI elevado vão primeiro servir o governo e se precisar depois servem o exército", explica.

Em Israel, os professores são treinados para conferir as competências e habilidades de cada aluno. Assim que é detectado um dom especial para uma pessoa, ela é separada em uma sala e ganha uma educação diferenciada.

Antes de ir para a universidade, as pessoas que serviram o exército ganham um determinado valor para explorar o mundo. Eliete ressalta que eles geralmente fazem um tour pela América do Sul. "Muitos israelenses já foram para o Chile, Argentina, Brasil, Colômbia e demais países da região", frisa.

Desigualdade Social

O salário mínimo em Israel é aproximadamente 5 mil shekels, transformando para o real brasileiro daria praticamente o mesmo valor, já que as duas moedas tem a mesma conversão.

Vendo o salário dos israelenses, já é possível perceber que o povo é bem de vida, algo comprovado pela Eliete.

"Tem as pessoas muito ricas, as menos ricas e as normais, mas as extremamente pobres é praticamente impossível de se ver", afirma.

Segundo Eliete, no Israel não existe pedintes como no Brasil, que são pessoas em situação tão complicada que não tem nada para comer.

Eliete se acostumou facilmente com o clima do local | Foto Arquivo Pessoal

Como a lei de pensão alimentícia é rigorosa no país do Oriente Médio, geralmente homens que tem muitos filhos e se separaram da mulher, pedem dinheiro para complementar a renda.

Trabalho

Em Israel, não existe regra de horas trabalhadas por dia ou por semana. O trabalhador exerce sua profissão até quando ele quiser, inclusive nos finais de semana, descansando apenas para fazer algo especial ou quando está muito cansado.

Para Eliete arranjar um emprego em Israel não foi difícil, já que seu marido trabalhava como chefe de cozinha em um local de eventos e la virou a sub-chefe dele. Apesar de gostar do emprego, ela pretende dominar o idioma hebraico para trabalhar com contabilidade.

Antes de contratar uma pessoa, o empregador define com o trabalhador o seu salário, as horas trabalhadas e os dias de descanso, sem leis trabalhistas e sindicatos, como acontece no Brasil.

"Eu acho interessante e percebo que as coisas funcionam", comenta.

Segurança

A catarinense confessa que entrou com um esteriótipo do país, por causa das cenas de guerras circulando na mídia. Mas conforme foi se adaptando a Israel, percebeu que os confrontos com a Palestina ficam limitados na Faixa de Gaza, região bem longe de sua cidade, Herzliya.

Eliete na capita do Israel, Tel Aviv | Foto Arquivo Pessoal

Por outro lado, ela garante que Israel é uma dos país mais seguros do mundo. Os bancos não contém seguranças e portas giratórias que a pessoa precisa deixar seus pertences, tem caixas eletrônicos em todo canto e Eliete nunca ouviu relato de pessoas assaltadas na rua.

"As pessoas sempre estão mexendo no celular e contam dinheiro no meio da rua", relata.

Ela disse que no Israel é tudo muito correto e organizado, diferente do Brasil, onde as pessoas precisam ficar em alerta a todo instante.

"No Brasil eu sempre andava com medo de ser assaltada e estuprada. Aqui não tem isso", garante.

Viajar é gratificante

Eliete ressalta que uma das melhores experiências que alguém pode ter é viajar, conhecer novos lugares e novas culturas e entender o modo de vida de outras pessoas.

"Te enriquece muito, te mostra uma visão mais ampla do mundo, de que existem outras formas de ser",  conta.

Ela também disse que viajar é explorar todas as facetas do mundo e ver que ele é muito interessante e bonito.

 

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