Com sucessivos aumentos nos preços, os combustíveis têm pesado cada vez mais, de impactos na cadeia produtiva aos gastos no dia a dia. Conforme a Petrobras, nos últimos 12 meses, o percentual acumulado de aumento nos preços dos combustíveis foi de 49%.

No último reajuste, anunciado no último dia 10 de maio, o percentual de aumento do óleo diesel foi de 8,87%. Transportadores de cargas e até mesmos de passageiros tem sido fortemente pressionados pelos custos base com combustíveis.

No caso do transporte público de passageiros, em municípios onde há subsídio das prefeituras, o impacto ainda não chegou ao bolso dos usuários, principalmente por conta da arrecadação positiva do ICMS.

No entanto, o IPCA já aponta uma necessidade de reajuste das passagens municipais, de 1,2%. O subsídio no transporte coletivo serve para que o serviço se torne mais acessível à população. A Associação Nacional de Empresas de Transportes Urbanos destaca que o combustível é o segundo maior custo das empresas.

O setor tem sofrido impasses financeiros desde a pandemia de Covid-19. Segundo a entidade, pelo menos 283 paralisações ou suspensões temporárias do serviço de transporte público ocorreram no país até o início desse ano, em mais de 90 municípios.

No período, mais de 80 mil empregos foram extintos no setor e o déficit acumulado desde março de 2020 ultrapassava R$ 16 bilhões até meados de março desse ano.

Para viabilizar o sistema de transporte urbano de passageiros, em Santa Catarina, municípios como Joinville e Blumenau fizeram aportes milionários nesse ano, sob a justificativa de que os recursos servem para equilibrar a diferença entre a tarifa técnica e o valor efetivamente pago pelo passageiro.

Em Joinville, por exemplo, no último mês de abril, a administração municipal enviou para a Câmara de Vereadores um pedido de aporte financeiro de R$ 21 milhões para subsidiar o transporte coletivo. O valor atual da passagem no município é de R$ 4,75 antecipada e R$ 5 comprada no momento do embarque. Para equilibrar o sistema, caso não houvesse o aporte, o usuário teria que pagar R$ 7,15 pela passagem, que é a chamada tarifa técnica, ou seja, o valor mínimo para viabilizar o transporte coletivo oferecido por duas empresas, a Gidion e Transtusa.

Em Jaraguá do Sul, o assunto foi discutido em uma audiência pública concluída na semana passada, ocasião em que a empresa Senhora dos Campos, responsável pelo transporte coletivo na cidade, disse que a passagem precisaria subir dos atuais R$ 3,94 para R$ 5,15. Isso porque, segundo a empresa, desde que a licitação foi feita em 2020, os custos de operação da companhia subiram com o preço do diesel e os salários dos trabalhadores. Foi aprovada pelos vereadores uma proposta para que a Prefeitura pague um subsídio à empresa para manter o valor das passagens.

A prefeitura de Blumenau também oficializou nesse mês de maio, um novo subsídio para a Blumob, que é responsável pela operacionalização do sistema de transporte de passageiros no município. O repasse chega a R$ 22,5 milhões, divididos em dez parcelas mensais de R$ 2,5 milhões.