As empresas que haviam se internacionalizado antes de 2008 passaram pela crise com melhores posições de mercado do que as demais, analisa o consultor Pedro Drummond, especialista em internacionalização de empresas e que, nesta quinta-feira (29), na Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), proferiu palestra na Conferência Select USA.

O evento integra programa homônimo mantido pelo Departamento de Estado do governo americano, com apoio do consulado daquele país em São Paulo, para promoção de negócios e atração de investimentos.

"Além da conquista de novos mercados, a internacionalização proporciona um conjunto de aprendizados às organizações: diversificação de riscos, competição em mercados mais maduros, e maior qualificação em processos como vendas e compliance", salientou Drummond.

Para ele, "os avanços tecnológicos trouxeram a possibilidade de pequenas e médias empresas alcançarem o mercado global com rapidez e sem custos exorbitantes".

O presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar, destacou a necessidade da internacionalização das empresas catarinenses como estratégia para o desenvolvimento. Segundo ele, os Estados Unidos oscilam entre o primeiro e o segundo lugar entre os principais destinos dos produtos do estado.

"Somos superavitários na balança comercial com os Estados Unidos", afirmou, destacando que, em 2018, o estado exportou aos americanos 1,37 bilhão de dólares, com destaque para madeiras, motores e blocos e cabeçotes para motores elétricos, e adquriu 1,1 bilhão de dólares.

"Importamos muito mais equipamentos e insumos para a produção, o que permite aumentar nossa capacidade produtiva e atender mercados de consumo, inclusive o americano", disse.

Ele lembrou que a Fiesc integra o Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos, que promove acordos comerciais e investimentos entre os dois países, e destacou a presença em Santa Catarina de grandes corporações oriundas daquele país, como a Whirpool, Westrock e a Arctouch.

"Este evento nos permite discutir a possibilidade de incremento das relações comerciais de Santa Catarina com os Estados Unidos", afirmou.

A gerente do programa Select USA para as Américas, Belen Gallegos também enalteceu as vantagens de investimentos nos Estados Unidos. "É um país incrivelmente diversificado, tem o mercado de consumo mais atrativo do mundo e uma das forças de trabalho mais produtivas do mundo para empresas de todos os tamanhos, desde as emergentes até as multinacionais", afirmou.

"Investir nos EUA é a melhor decisão que sua empresa pode tomar; lá ela vai incorporar nossa cultura inovadora; essa decisão é uma plataforma forte para o crescimento global das empresas", disse.

Mudança de perfil

André Leal, especialista em internacionalização do consulado americano em São Paulo, constata que nas últimas duas décadas ocorreu uma mudança no perfil das indústrias estrangeiras que investem nos Estados Unidos, ocorrendo maior incidência de empresas de médio ou pequeno porte.

Ele citou como exemplos catarinenses que inicialmente corporações como a Tupy e a Weg tiveram essa iniciativa, sendo seguidas pelas suas fornecedoras.

"A empresa que se internacionaliza busca abertura de mercado, mas alcança outros benefícios, outros aprendizados que vão impactar muito mais em sua operação", destacou. "As organizações aprendem novas práticas de negócios, outras maneiras de fomentar parcerias binacionais e novas formas de desenvolver inovação".

Pedro Drummond fez questão de ressaltar que o aprendizado em termos de compliance "não está associado à ideia de que o Brasil é pior, apenas é diferente e conviver com o diferente é sempre um ótimo aprendizado".

O evento contou com a participação de outros consultores, como Leonardo Freitas (da Hayman-Woodward) e Bethany Miller (da Richmond Partneship), além de representantes dos estados americanos de New Jersey, Flórida, Geórgia e Connecticut.

 

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