Por Kamila Scheineder Em tempos de crise, conquistar novos clientes ou liberar o estoque que resta na fábrica pode ser uma tarefa árdua. Enquanto o ritmo de produção industrial continua lento no Brasil – após uma queda de 6,6% no ano passado, o cenário exige cada vez mais criatividade para contornar os impactos de uma economia ainda marcada pela instabilidade. A palavra-chave é inovar. Foi com esta mentalidade que o empresário jaraguaense Ivanor Rozza resolveu investir em tecnologia e inovação para ajudar o mercado têxtil local. Consultor e empresário do setor há 13 anos, Rozza notou uma dificuldade crescente na busca por novos fornecedores e na comercialização de estoques, o que, muitas vezes, dificulta a gestão produtiva das empresas. Para sanar estes problemas, o empresário desenvolveu um aplicativo chamado Saldo Têxtil, voltado para a compra e a venda de produtos de vestuário. Aberto tanto ao público final quanto à indústria, o aplicativo cria um verdadeiro banco de dados para a comercialização de itens como roupas, malhas e retalhos, seja por quilo ou por peça. A proposta é simples: após fazer um cadastro, o usuário pode registrar produtos para a venda, utilizando um sistema de classificação que separa as peças por modelo, tamanho e características gerais. “Colocando o anúncio no aplicativo, todos os usuários cadastrados recebem uma notificação para saber que há um novo produto a venda. Pelo próprio aplicativo é possível conversar com o vendedor, negociando em tempo real”, explica Rozza, que trabalhou por dez meses no desenvolvimento da ferramenta. A principal vantagem, segundo o empresário, é que os usuários (pessoa física ou jurídica) podem tanto comprar, quanto vender um produto, utilizando a mesma interface. Uma pequena facção, por exemplo, pode utilizar a ferramenta para adquirir a malha que será aplicada na produção e depois anunciar estes produtos no aplicativo. “A proposta é facilitar e agilizar a negociação, sem intermediários, o que também estimula a prática de preços mais competitivos. Já ouvi casos em que um empresário vendeu uma malha, que uma semana depois estava sendo ofertada por um valor 50% mais alto. A negociação direta permite um preço melhor para o cliente final”, diz Rozza. Acesso a fornecedores e clientes de todo o país Outro diferencial da plataforma é que a finalização da venda é feita diretamente com o fornecedor. “O aplicativo é o intermediador. Quando o cliente estiver interessado em concretizar a venda, ele terá que entrar em contato por telefone com a empresa, o que também promove o contato mais direto entre as partes”, detalha o empresário. Fechada a venda, o vendedor paga uma comissão de 3% para o aplicativo – conforme Rozza, hoje a média de comissão praticada no mercado é de 7,5%. A expectativa é de que a ferramenta ajude a aumentar as vendas do setor têxtil, que em 2016 fechou mais de 1,4 mil postos de trabalho em Jaraguá do Sul. Segundo Rozza, a plataforma também permite que as empresas tenham acesso a clientes e fornecedores de todo o País, além de ser uma forma eficaz de divulgar os produtos e negócios locais. A ferramenta é gratuita e está disponível para Android e iOS. Além do aplicativo, os usuários também poderão utilizar a plataforma pelo computador, acessando o site.