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Pode um espetáculo teatral sofrer censura unicamente por seu título? No Brasil de hoje, pode e aconteceu com a Malagueta Produções, de Florianópolis. No ano passado, o grupo teve a peça “A Menina e sua Sombra de Menino” impedida de ser apresentada em Campos Novos e Xanxerê, onde se presumiu que a peça abordava sexualidade e questões de gênero. Nada mais errado, como se verá neste sábado (2), às 20h30, no galpão da Ajote, em Joinville.

“A Menina e sua Sombra de Menino” abre a sétima edição do Verão Teatral, que até o final de março terá apresentações de 12 espetáculos na Cidadela Cultural. A programação completa e a venda de ingresso estão AQUI.

O trabalho da Malagueta é uma iniciativa da atriz Paula Bittencourt, que em 2016 montou um projeto para falar de assuntos considerados tabus pelas crianças. Depois de algumas contações de histórias, o grupo chegou ao texto "A História de Júlia e sua Sombra de Menino", de Christian Bruel, que acabou virando espetáculo.

Na história, uma menina também gosta de brincar de carrinho, e de tanto a criticarem por isso, ela percebe que sua sobra é de um menino. Mas ela não quer isso, apenas ser ela mesma.

“A proposta da peça é discutir com crianças e adultos sobre essa questão das imposições sobre o que é coisa de menino e coisa de menina. Isso é cada vez mais necessário depois da ‘era Damares’”, brinca o produtor Heitor Lins. “O espetáculo não aborda sexualidade ou questões de gênero, como foi acusado quando fomos censurados em Campos Novos e Xanxerê”.

Segundo Lins, a polêmica em torno da peça rendeu, mesmo a contragosto, certa notoriedade ao espetáculo, que em dezembro foi apresentado em São Paulo e continua viajando bastante. Para ele, sempre é ruim sofrer censura, ainda mais por parte de pessoas que nem assistiram à peça.

“Mas o lado bom é que mostrou que esse tema é, sim, um tabu e cada vez mais tem que ser conversado, não só com as crianças, mas também com os pais. Quantas meninas sofrem bullying na escola porque gostam de jogar futebol, só porque a sociedade impõe que é coisa de menino?”, questiona o produtor.