Arquivo pessoal
Arquivo pessoal

Uma obra artística não tem prazo de validade. Mesmo que reflita a realidade de sua época ou se debruce sobre determinado contexto histórico, poderá se reexaminado (e admirado) anos e anos depois. Mas para isso é preciso que seja conservado e mantido disponível, tal qual um tesouro esperando ser encontrado. Imagine, então, que riquezas guarda a Livraria O Sebo, em Joinville.

Legítima mantenedora local de uma fortuna em forma de cultura, a loja abriu no dia 10 de março de 1987, facilitando a vida dos joinvilenses que tinham de ir a Curitiba “garimpar” preciosidades. Primeiro ponto do gênero na cidade, o endereço da rua Henrique Meyer durou 15 anos, mas ficou pequeno para tanta histórica, literalmente falando. No amplo espaço da rua Dr. João Colin, 572, já são 17 anos de atendimento.

Neste tempo, O Sebo chegou ao impressionante número de 100 mil itens catalogados, entre livros, revistas, quadrinhos, vinis, CDs e DVDs. É um mundo de conhecimento e entretenimento que concorre com as mídias digitais, mas segue encontrando espaço entre os que não se renderam completamente a elas.

“Passamos por épocas de vagas magras, claro, mas temos clientes fieis desde o começo”, afirma Silvana Pereira Stadler, que toca a loja ao lado de Eliana Novaes.

Parte dessa clientela mora em outras cidades e até em países distantes, interessada em autores brasileiros. Os japoneses, por exemplo, buscam discos de bossa nova. É a velha e saborosa saga de resgatar pérolas do passado, seja em papel, seja em vinil.

“Sebo não é só para comprar livro mais barato, mas achar o raro, o esgotado”, frisa Silva, ressaltando que sempre que uma obra é citada num filme ou adaptada para as telonas, ela tem seu interesse renovado.

“Queremos fazer com que as pessoas encontrem livros raros, mas também queremos contribuir para que elas tenham mais conhecimento, facilitar o acesso à cultura. Essa sempre foi a intenção desde o início”, diz a co-proprietária d’O Sebo, que há algum tempo vem se notabilizando por receber lançamentos e shows intimistas, além de sediar as reuniões da Associação das Letras e da Confraria do Escritor.