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Fernanda Moreira tem um casal de filhos, Laura, de 11 anos, e Lucas, de sete. Como tantas mães (e pais) do século 21, ela se viu em meio ao enorme e natural interesse de crianças e adolescentes pela internet e, em especial, pelo que é oferecido pelo YouTube. Como ela diz, é algo semelhante ao que passaram as pessoas nos anos 50 com a chegada da TV, mas num grau “multi-telar” e com conteúdo quase infinito.
“Comecei a observar o conteúdo que os interessava, isso mexeu muito comigo. A maioria se interessava por conteúdos fúteis, consumistas, banais, com palavrões, abordagens que denigrem a imagem do outro e por aí vai. Em contrapartida, descobri alguns canais explorando conteúdos extremamente interessantes, criativos, que eu mesma sentava pra assistir junto. Então percebi que muitos dos pais não sabiam do que se tratava a plataforma  que a criança estava utilizando, o canal a que assistia, o conteúdo abordado. Muitos desses pais (me incluindo) nem sabem usar o YouTube”, reconhece.
Mas, além de mãe, Fernanda também é atriz, professora e pedagoga. As dúvidas diante da tecnologia lhe deram munição para não só se atualizar no ambiente doméstico como trabalhar essas questões de uma forma profissional e artística. Assim, ela começou a pesquisar de que forma o YouTube pode ser usado de forma útil, prazerosa e informativa, em casa e nas aulas de teatro que ministra. Surgiu então o canal da Fada Sol – um desdobramento digital das duas peças de teatro com a personagem criada por ela – e uma palestra para pais, professores e o público em geral a respeito do conteúdo oferecido pelo YouTube.
“Se você souber usar essa ferramenta, ela te aproxima do seu aluno, te possibilita ampliar seus recurso em sala de aula, complementar conteúdos, deixá-los mais interessantes. É real que a imagem atrai de forma escancarada uma criança, então sabendo usa-lá, podemos promover e despertar ainda mais o conhecimento nela”, diz Fernanda, que deu seguinte entrevista para Orelhada.

Afinal, o YouTube é um ambiente saudável para crianças?
Fernanda Moreira - Acho que o Youtube pode ser um ambiente saudável para crianças se bem direcionado e com limitações, até porque estamos falando de crianças e devemos pensar que um  responsável irá que conduzir o uso. Acho que esse é o princípio de tudo, limite e direcionamento. Isso vale pra TV, pra videogame, não só pro Youtube.

 

 

 

O que os pais deveriam observar antes de deixarem os filhos navegar pelo YouTube?
Fernanda - Ver o conteúdo que o canal traz, a  forma com que os assuntos são discutidos, o perfil do youtuber ou o conteúdo da animação. Fazer uma playlist após avaliar também pode facilitar.
 

Há uma infinidade de opções. Como filtrar tudo isso?
Fernanda - Acho que isso é muito pessoal. Eu diria bom senso, analisar o conteúdo, mas cada um tem suas crenças, seu gosto cultural, musical, seu estilo de vida. Na minha casa nem sempre concordo com o que os  meus filhos querem assistir, mas discuto com eles o conteúdo, a forma abordada e acabo encaminhando para o que acho mais adequado. Na sala de aula, tento promover algo de interesse geral do grupo.

 

Você também percebeu a enorme quantidade de vídeos que estimulam o consumismo na infância?
Fernanda - Sim, percebi logo de cara esse estimulo ao consumismo. É absurdamente preocupante o que os canais e seus youtubers promovem com esse foco. Me sinto extremamente incomodada. Tenho conversado muito com meus filhos sobre isso, é uma questão que me preocupa de forma geral, pois as crianças entram no que posso chamar de  "consumismo virtual", ou seja, não posso ter mas "consumo" de certa forma.
 

Criar o canal da Fada Sol foi um meio que você encontrou para oferecer um conteúdo mais lúdico ao público infantil?
Fernanda - Com certeza o canal foi criado com esse propósito. Me sinto realizada em colocar no ar um conteúdo genuíno, lúdico e educativo, mesmo que por vezes me sinta nadando contra um oceano.


 

Professores também podem ser valer do YouTube na hora de ensinar?
Fernanda - Como citei, acho que pode ser, sim, um recurso. Se bem direcionado, tem um vasto material. Outro dia  acompanhei uma turma que ia estudar a Matrioska e foi sensacional o conteúdo explorado no Youtube pela professora da classe. Nós mesmos do FADATUBE tivemos uma experiência encantadora com o quadro "Correio Fadistico", no qual alunos de uma turma em fase de alfabetização eram estimulados pela professora a nos mandarem cartas, líamos no quadro e respondíamos também com uma carta além do vídeo. Eu chegava a ficar emocionada, pois é uma sensação incrível participar desse momento na vida de uma criança.
 

Você costuma fixar um tempo diário para seus filhos ficarem na internet? O que você considera razoável?
Fernanda – Sim, sou uma mãe até bem conservadora nessa questão (risos). Durante a semana, sou mais rigorosa - uma hora de manhã e uma hora quando voltam da escola depois de fazerem as tarefas. No fim de semana, deixo mais tempo, pois eles mesclam entre o Youtube, jogos na internet, Netflix .... Minha filha só ganhou um celular esse ano, aos 11 (o meu antigo). Mas também libero apenas de sexta a domingo e nos feriados, pois durante a semana acho que os grupos de whats e a rede social que ela tem (que eu supervisiono e é privada) atrapalham muito o foco nos estudos e demais atividades.