Foto Divulgação/Pexels
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Na inserção dos povoadores do grande Vale do Itajaí constata-se que a imprensa desempenhou importante papel como instrumento de comunicação àqueles que desejavam emigrar. As notícias e informações relativas à colonização no Brasil foram levadas ao conhecimento das populações mais afastadas da antiga Europa, via folhetos, panfletos e jornais emitidos pelos agentes de emigração.

O próprio fundador da Colônia Blumenau (1850), o Dr. Hermann Bruno Otto Blumenau, fez uso da imprensa, na Alemanha, para divulgar o seu empreendimento e estimular a vinda de imigrantes para Santa Catarina. Movidos pelas promessas de um futuro promissor e pelas descrições das maravilhas do país tropical, eles vieram. Inicialmente, chegaram os alemães, seguidos pelos italianos, austríacos, poloneses e russos que se fixaram em tempos e espaços diferentes.

A informação que chegava à população do que se passava na velha pátria, bem como instruções e informações fornecidas aos novos ocupantes das terras eram feitas pelos órgãos de imprensa. As notícias, na maioria das vezes, quando chegavam já estavam desatualizadas.

Apesar de encabeçar várias manifestações de cunho cultural, a cidade de Blumenau vem de uma história em que a imprensa local somente decola na transição do processo de emancipação do sistema colonial para a categoria de município, em 1880.

Foi preciso aguardar três décadas para que a cidade pudesse ter o seu primeiro jornal. Nesse meio tempo, uma geração cresceu distanciada do exercício democrático de fazer uso da palavra escrita. Alguns intelectuais, ignorando a distância, fizeram uso do “Kolonie Zeitung”, de Joinville, para divulgar e narrar os acontecimentos da Colônia Blumenau.

Primeiros jornais da cidade

O fundador, Dr. Hermann Blumenau, não via com bons olhos a veiculação de um jornal, pois temia abusos e transtornos no seu comportado empreendimento. Assim, somente em 1879, constituiu-se uma sociedade por ações, com fins de levantar recursos para adquirir maquinários e materiais necessários para a constituição de uma tipografia local.

A comissão organizadora conferiu a Hermann Baumgarten a administração da Sociedade Tipográfica “Blumenauer Zeitung”. Coube ao mesmo a responsabilidade de publicar regularmente o recém-criado jornal.

O primeiro número apareceu em 1881. Após o nascimento do primeiro jornal, outros apareceram ao longo da história. A trajetória do “Blumenauer Zeitung” foi marcada por vários episódios, onde se incluem o envolvimento político, vandalismo das suas oficinas, mudança de denominação durante a Primeira Guerra Mundial, alteração do idioma alemão para o vernáculo português e a efetiva desativação em 1938.

Logo após o “Blumenauer Zeitung”, um segundo jornal, o “Immigrant” (1883-1891), apareceu em língua alemã, sob o comando do litógrafo Bernard Scheidemantel, Fritz Müller e Paulo Schwartzer. Além do seu envolvimento nas questões da política local, o periódico entrou em conflito com a comunidade evangélica. Após oito anos de muitas discussões polêmicas, este jornal deixou de circular.

Em seu lugar nasceu o “Der Urwaldsbote” (1893-1941). Iniciou sob a orientação do pastor Hermann Faulhaber e atendia aos interesses da comunidade evangélica e às escolas a ela vinculadas. Após a saída de Faulhaber, assumiu o comando como redator-chefe o alemão Eugen Fouquet, que conduziu este jornal por longos anos. Sua forte personalidade provocou muitas polêmicas e disputas com o “Blumenauer Zeitung”. Editavam semanalmente um encarte cultural contendo contos e novelas que prendiam a atenção dos seus leitores.

Para contrapor com esta situação, surgiu o primeiro jornal de circulação contínua em português, em Blumenau. Tratava-se do periódico “A Cidade” (1924-1974), cujos redatores eram José Ferreira da Silva e J. Octaviano Ramos.

Multiplicação dos veículos de comunicação

Outro aspecto que se constata no decorrer deste processo histórico é o considerável número de periódicos que nasceram entre o pós-Primeira Guerra Mundial e o final dos anos de 1930. Com a ação nacionalizadora da era varguista e a desastrosa deflagração da Segunda Guerra Mundial, ocorreu o encerramento dos inúmeros jornais que circulavam em idioma estrangeiro (alemão e italiano).

Esta desativação deu origem a outros periódicos que apareceram em português. Foi o caso dos jornais “A Nação” (1943-1985) e “O Lume” (1949-1971), ambos criados por iniciativa do jornalista Honorato Tomelin. Estes jornais cobriam colunas que se estendiam desde os temas políticos e socioculturais, passando para o esportivo e notícias do cotidiano da cidade.

No entanto, com a mesma intensidade que nasciam, também desapareciam. Alguns não saíram do primeiro número ou tiveram uma vida muito efêmera.

Nas décadas de 1960 e 1970, a população brasileira passava pelo impacto do regime militar vigente no Brasil. Em Blumenau, alguns periódicos, considerados esquerdistas pelo sistema, foram desativados, como o “Ronda” e o “Combate”.

As relações entre operários e patrões eram amainadas com a criação de associações recreativas e esportivas, apoiadas pelos patrões. Jornais de fábricas e revistas foram criados, justificando, assim, o acentuado número de periódicos existentes neste período.

Ainda nos anos de 1970, a imprensa ganhou nova dinâmica com a circulação em edição estadual do “Jornal de Santa Catarina”, o primeiro a ser impresso pelo sistema “offset”. Outros periódicos vão juntar-se ao conjunto de jornais que circularam ou circulam em Blumenau e sua região.

Transição do impresso para o digital

Atualmente, o acesso à informação é facilitado pela imprensa eletrônica que permite estar em contato imediato com todas as partes do mundo, enquanto o jornal impresso, com o passar do tempo, atravessará pelo processo de mudanças diante das modernidades e tecnologias do século XXI.

E é com este perfil dos novos tempos que o OCP Vale Europeu chega a Blumenau e região para brindar o grande público leitor virtual com a história e a credibilidade de um veículo de comunicação que completa 100 anos de existência em maio deste ano.