“At fi rst, I was afraid, I was
petrifi ed/ Kept thinkin’ I could never
live/ ... Oh no, not I! I will survive!/
For as long as I know how to love/ I
know I’ll stay alive!/ I’ve got all my
life to live / I’ve got all my love to
give/ And I’ll survive! I will survive!”
(I will survive, Gloria Gaynor)

Para quem ainda não ouviu falar, pornografia da vingança (revenge porn, em inglês) é o ato praticado pelo ex-namorado, noivo, marido, crush e afins contra sua ex, utilizando-se de imagens íntimas (fotos ou vídeos) com o objetivo de constranger, atingir a honra e humilhar a vítima.

Acontece, também, embora em índices menores, na situação inversa (a ex divulgando imagens do
ex), assim como em relacionamentos homoafetivos.

Ainda que ninguém tenha nada a ver com relações consensuais entre adultos e o que fazem entre quatro paredes, parte da sociedade costuma ser implacável quando situações como estas vêm à tona, tornando a vida das vítimas ainda mais tormentosa e sufocante.

Os resultados podem ser devastadores: não é incomum ouvir falar de tentativas de suicídio. O apoio da família e amigos (e da escola, quando atinge os mais jovens) é fundamental. Os algozes, por outro lado, acreditam que fi carão incólumes.

Identificadas (o que é plenamente possível), poderão responder tanto civil quanto criminalmente. Está crescendo, inclusive, o entendimento de que as pessoas que compartilham as fotos e os vídeos
também podem ser responsabilizadas.

A exposição da/do ex por mero sentimento de vingança poderá ter um custo realmente alto para os envolvidos. A situação é grave. O mundo inteiro está se mobilizando para combater a pornografia da vingança, seja com a criação de leis, seja com programas de esclarecimentos e prevenção.

É importante distinguir, ainda, a pornografia da vingança de sexting e de pornografia não consensual (NCP, em inglês). O primeiro é a troca de mensagens de cunho erótico ou sexual, com ou sem imagens. Contribui, óbvio, para a pornografia de vingança.

O NCP, por sua vez, é a divulgação de fotos ou vídeos íntimos por terceiros, seja pelo simples prazer de denegrir a imagem da vítima, seja com a intenção de extorqui-la.

A conclusão é clara: educação digital, nesse caso, associada à educação sexual. Conversa entre pais e filhos e atenção da escola trazem bons resultados. Não confiar cegamente nos parceiros, em especial no início do relacionamento, também pode fazer a diferença.

De todo modo, como cantou Gloria Gaynor, se você foi vítima, e deu medo no início, ame-se. Você vai sobreviver!