Foto por: Andrea Piacquadio | Pexels
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\“ Elas querem o meu sangue e o meu calor/ São como vampiras/ Numa fita de terror/ Elas querem o meu coração/ Mas isso eu não dou” (As sete vampiras, Léo Jaime).

Em 1984, obra mais famosa de George Orwell e inspiradora do reality show Big Brother, havia um certo Ministério da Verdade, bem ao estilo dos ministérios da propaganda nazistas e comunistas. Seu principal objetivo era, além da propaganda em si, fazer revisionismo histórico. Tudo que fosse contra os interesses do Grande Irmão, no presente ou passado, era modificado para uma versão mais favorável a quem estava no poder.

O Ministério da Verdade também era uma fábrica de assassinatos de reputações. Pessoas que incomodavam também sumiam do mapa para que seus escritos e pensamentos pudessem sumir dos registros. Afinal, como supostamente pregava Joseph Goebbels, ministro da propaganda da Alemanha nazista, fiel escudeiro de Hitler e fanático antissemita, “Uma mentira repetida mil vezes passa a ser verdade”.

E vira verdade?

Todos sabem que uma mentira repetida mil vezes não se torna uma verdade, mas muita gente gostaria piamente que sim. Por isso essa tendência desenfreada das pessoas sem pudor de passar adiante aquelas informações travestidas de notícias mesmo quando desconfiam que não seja verdade.

Por quê? Para alimentarem o próprio ego. Para poderem dizer que sua versão sobre alguma coisa ou sua aversão a alguém se justifica. Por mais bizarra e inverossímil que seja a mensagem, se estiver de acordo com o seu pensamento, passarão adiante. Pessoas sem senso crítico e de responsabilidade.

Manipuladas.

Mas elas próprias estão sendo enganadas, manipuladas. As redes sociais são especialistas – e precisam disso para sobreviver – em deixar as pessoas presas nas suas plataformas. Como vampiras num filme de terror, querem seus corações e suas mentes.

E como fazem isso? Proporcionando matérias e postagens que estão de acordo com os pensamentos do usuário. Ou melhor, de acordo com o que o usuário pensa que é sua linha de pensamento. Quantas pessoas que se dizem de direita ou de esquerda, por exemplo, já leram um livro sobre história, política ou economia para compreenderem o que é ser de esquerda ou de direita? Em regra, elas se conduzem por meros achismos e, também em regra, quanto menor o conhecimento maior o radicalismo.

E, num mundo polarizado, torna-se mais fácil embolhar as pessoas. Já falei sobre isso aqui. Os algoritmos das redes sociais nos conhecem melhor do que nós mesmos e por isso nos manipulam tão facilmente se não tomarmos certos cuidados.

As pessoas estão caindo em mentiras tão facilmente porque simplesmente estão com preguiça de pensar, especialmente se a mentira serve para sustentar seus achismos ou, pior, seus políticos de estimação. As eleições estão chegando. Logo, é importante que deixemos de ser usuários rasos (da internet) para sermos cidadão (eleitores conscientes), tendo a humildade de fazermos análises despidos de paixões que cegam e não fundadas em postagens de redes sociais ou em mensagens de WhatsApp.