Pelo segundo ano consecutivo, os servidores públicos de Florianópolis mostraram a força da categoria. Encararam a pressão do governo Gean Loureiro e da Justiça e completaram um mês de paralisação. Nas redes sociais, o discurso dividiu-se entre os que enxergam uma greve de conotação política e os que entendem tratar-se da defesa do serviço público municipal em duas áreas essenciais: saúde e educação.

Por mais que muita gente tenha esbravejado tanto de um lado quanto o outro, o fato é que, mais uma vez, na briga entre o rochedo e o mar sobrou para o marisco. Traduzindo: quem mais foi afetado por esta queda de braço entre prefeitura e sindicato foi exatamente a população, especialmente os de baixa renda que dependem das creches para deixar os filhos e trabalhar e do posto de saúde para um atendimento primário.

Engana-se quem imagina que o fim da paralisação será o fim do conflito entre servidores e Executivo. No máximo um armistício. O clima segue pra lá de tenso na relação.

O problema é que, mais uma vez, o embate concentrou-se em temas pontuais - no caso a terceirização da Saúde e Educação para as OS. E a questão fundamental, o futuro das contas públicas e a gestão dos recursos - ficou em segundo plano.

Em 2018 entrou em vigor a PEC do Teto. Ou seja, a partir de agora, todos os poderes somente poderão aumentar os gastos no percentual da inflação o ano. Só que o crescimento da população e a demanda por serviços básicos como Saúde e Educação cresce numa escala bem maior. E se a situação financeira de Estados, Municípios e União já está complicada, a tendência é de uma crise crônica nos próximos anos. Então, meu caro cidadão, prepara-se porque em 2019 a cena tende a se repetir a exemplo de 2017 e 2018.