Mesmo após anunciar ajustes para ampliar a oferta de contratos de swap cambial, que equivale à venda de dólares no mercado futuro (uma forma de evitar a fuga de capitais do país), o Banco Central (BC) não conseguiu segurar uma nova alta da moeda norte-americana no pregão desta segunda-feira (14). O dólar comercial acabou fechando o dia cotado R$ 3,628, uma alta de 0,73%.

Trata-se do maior valor desde abril de 2016, quando a moeda chegou a valer R$ 3,693. Na máxima do dia, o dólar chegou a bater R$ 3,6405, mas acabou recuando no fechamento para os R$ 3,628. O dólar turismo, que é o que as pessoas compram quando fazem viagem internacional, atingiu a cotação de R$ 3,78 ao fim desta segunda-feira.

Por volta do meio-dia desta terça-feira, o dólar comercial marcava R$ 3,6828, operando em alta durante todo o período da manhã. Devido a especulação em cima da taxa de juros americana - a expectativa é de que ela aumente - investimentos em fundos financeiros que antes eram feitos em economias emergentes tem se movido para os EUA, o que tem acelerado a valorização do Dólar.

No entanto, o quadro norte-americano não explica por si só a cotação da moeda, sinal do enfraquecimento do real e da economia brasileira. Na última semana, em uma tentativa de controlar a moeda, o BC anunciou ajustes nos leilões de contratos de swaps cambiais, equivalentes à venda de dólares mercado futuro. O BC passou a fazer leilões com vencimento em junho e antecipou operações adicionais - o que até o momento não ajudou a controlar a cotação da moeda.

Além do impacto sobre o consumidor direto e sobre os preços, a alta do dólar deve ser sentida diretamente na balança comercial, com a desvalorização das exportações brasileiras e a supervalorização das importações. Em 2015, a moeda chegou a passar da marca dos R$ 4 - cotação que seria desastrosa para a economia nacional, caso se repita.