O que acontece fora do Brasil pode impactar diretamente o resultado dos seus investimentos | Foto Divulgação

O que acontece fora do Brasil pode impactar diretamente o resultado dos seus investimentos | Foto Divulgação

Você já deve ter ouvido ou leu em alguma chamada de notícia como essas:

“Fed mantem taxa de juros nos EUA”

 

“BC turco libera dinheiro para bancos, mas lira continua a derreter”

 

“Ainda sob influência da Turquia, dólar opera cotado a R$ 3,90”

E você pode pensar que a leitura é desnecessária, pois não vai influenciar em nada na sua vida se os EUA elevam ou reduzem a taxa de juros, certo?

Desafio da semana: iniciar o hábito da leitura! Informação nunca é demais e acredite: o que acontecer nos EUA, China ou qualquer outro país pode ser um fator relevante não apenas para a economia global, mas para sua economia pessoal: seus investimentos!

Quando falamos em investimentos sempre temos algo novo a aprender. Este mercado é amplo, dinâmico e exige atualização constante. Veja só:

Fundo de investimento cambial

O investidor com alocação nesta modalidade de fundo acredita na oscilação da moeda estrangeira e acompanha o comportamento cambial para ganhos ou perdas, ciente da volatilidade do produto.

Até aqui tranquilo, pois a escolha de alocar em um ativo com oscilação, atrelado a um índice com impacto do exterior, foi do investidor.

Investimentos na renda fixa

Quem investe nessa modalidade também pode sofrer algum impacto? Separei três fatores que podem impactar na renda fixa de forma positiva ou negativa. Tudo depende do momento e da análise.

Dólar

quando a cotação do dólar está baixa, a tendência do mercado é uma inflação mais controlada. Desta forma a expectativa é de juros baixos, o que pode afetar estas aplicações em renda fixa de forma que não tenham o rendimento esperado pelo investidor ou o que ele teve em algum período anterior:

Vamos entender: geralmente encontramos a oferta de CDB, LCI e LCA pós fixado, ou seja, o investidor faz um acordo com o emissor do título para receber uma percentual do CDI (Certificado de Depósito Interbancário: taxa de referência para aplicações financeiras de Renda Fixa).

Por exemplo: CDB de 110% do CDI (a taxa atual do CDI é 6,39% ao ano). O que isso significa? Que o investidor vai receber 110% de 6,39% ao ano, que é equivalente a 7,03% ao ano. E se o CDI estiver 8% ao ano? 110% será equivalente 8,80% ao ano.

Certamente preferimos receber 8,80% ao ano, mas uma observação é muito importante: analisar o ganho real (rendimento menos inflação), pois é muito bom olhar o rendimento mensal maior, mas não podemos nos iludir com um rendimento de 12% ao ano e uma inflação de 10% ao ano (ganho real de 2% ao ano).

Da mesma forma o Tesouro Selic, pois sua remuneração é 100% do CDI, ou seja; ele acompanha o índice tanto em movimento de alta de juros quanto na queda.

Como posso me proteger dessa variação da taxa do CDI? Com aplicações pré-fixadas! Um CDB pré-fixado a 12% ao ano significa que, durante o prazo previamente contratado, você irá receber 12% ao ano. Se o CDI for a 6% ao ano, você continua recebendo 12% ao ano.

Qual seria o ônus nesta aplicação? Se o CDI passar de 12% ao ano. Por isso é importante analisar o cenário ou ter orientação de um assessor de investimentos. Uma dica de ouro: Diversificação na carteira! Equilíbrio para manter uma boa rentabilidade em diferentes cenários.

Fatores econômicos

Um dos principais fatores econômicos são os juros dos EUA. Assim como no Brasil temos o Copom (Comitê de Política Monetária), onde sua responsabilidade mais conhecida é a definição da taxa de juros, os EUA tem o Fed (Federal Reserve) Banco Central do país, que elevou a taxa de juros dos EUA em 13/06/18 para a faixa entre 1,75% a 2% ao ano.

Você deve estar se perguntando: 2% ao ano? Sim! E está alta, pois há aproximadamente sete anos a taxa estava inalterada, próximo de 0,5% ao ano.

No Brasil, atualmente a Selic (Taxa Básica de Juros) é 6,5% ao ano e achamos pouco, não é? Certamente já vivemos períodos de taxa de juros maiores do que hoje, mas mesmo em nosso cenário mais baixo permanecemos com uma das taxas mais altas no mercado global.

O que a taxa de juros dos EUA pode influenciar em nossos investimentos aqui?

A maioria dos dirigentes do Fed, estimam que os juros da economia americana possam chegar a faixa entre 2,25% a 2,5% ao ano ainda em 2018.

Com o aumento desta taxa, a tendência é a fuga dos dólares, ou seja; os investidores internacionais devem realizar um movimento de saída de países emergentes como o Brasil e alocar seus recursos em títulos da dívida pública americana, um das mais seguras do mundo, reduzindo assim os riscos.

E agora? Vamos aplicar na dívida americana também? Não precisa se desesperar! Já ouviu que tudo depende do ponto de vista da análise? Aqui também!

A saída de investidores internacionais do país causa uma incerteza ao mercado financeiro, certo? Quando isso acontece, o que ocorre com os juros? Sobem! Então, com o movimento de incerteza a projeção de juros futuros tendem a subir, os emissores de títulos se baseiam nestas taxas para definir a rentabilidade ofertada ao investidor.

Desta forma irá aumentar o percentual de rendimento também. Identificamos então uma oportunidade: taxa alta de juros (oportunidade para alocar em títulos pré-fixados)!

Conforme expliquei acima, você fixa a sua taxa num período de alta e garante este rendimento pré-fixado durante o período contratado. Aproveite as oportunidades!

Fatores Geopolíticos

Há também outros acontecimentos além das decisões governamentais de grandes potencias globais que podem acarretar impactos na economia brasileira. Assim como conflitos como a guerra civil na Síria, a crise econômica na Turquia ou a troca de provocações entre a Coreia do Norte e os EUA elevam o grau de incerteza global.

Este cenário causa reflexo nos investidores, que novamente preferem ativos mais seguros e voltamos para os dólares em fuga. Além de que neste cenário, as bolsas de valores de todo o mundo tendem a cair.

O que pode ser perda de capital no curto prazo para quem esta alocado em renda variável, também pode ser uma oportunidade de compra de ativos a preços mais baixos para apostar no ganho a longo prazo.

Vamos para um exemplo prático? Em 8 de novembro 2016 acompanhamos a eleição presidencial dos EUA, lembra? No dia seguinte, 9 de novembro 2016 leia a notícia divulgada pelo site G1:

“O dólar opera em alta em relação ao real nesta quarta-feira (9), reagindo ao resultado das eleições presidenciais nos Estados Unidos. Contrariando as expectativas do mercado, o republicano Donald Trump superou a democrata Hillary Clinton e venceu a disputa.” E o que aconteceu com a bolsa de valores Brasileira? “A Bovespa também reage ao resultado da eleição nos EUA e opera em forte queda.”

A informação sempre será a base principal para melhores escolhas: busque, leia ou conte com o auxílio de um assessor de investimentos.

O mundo é grande, mas a velocidade da informação é maior!

Saia na frente e localize as oportunidades, mesmo que ela tenha aparecido por um fato relevante do outro lado do mundo. O impacto da economia internacional pode ser positivo ou negativo.

Depende de qual ângulo você está observando!

 Por Ludmila Marques