Anselmo Ramos diz que entidade não aponta candidatos ou partidos, mas sim questões de governo | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Anselmo Ramos diz que entidade não aponta candidatos ou partidos, mas sim questões de governo | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Anselmo Ramos, empresário do setor de imóveis, é o presidente da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul. Há 20 anos ele atua na entidade.

Uma das suas missões até outubro é liderar o movimento da categoria pelo voto consciente, para que a previsão de abstenção recorde não se concretize e também alertar para importância da região ter representantes em Florianópolis e Brasília para que consiga ser ouvida e atendida.

Em um bate-papo ontem, na sede da Terra Nova, Ramos falou sobre esse e outros temas.

Anselmo Ramos avalia de maneira positiva a gestão de Antídio Lunelli na Prefeitura de Jaraguá do Sul. Acredita que a visão do também empresário, de que é preciso dar mais eficiência à gestão pública para entregar serviços melhores à população, é uma das saídas para o país. Ele cita como fundamentais as reformas da Previdência, Tributária e Política.

Nesse último ponto, critica a cultura instalada nos últimos anos, em que o relacionamento entre Executivo e Legislativo é baseado em trocas, de cargos, benesses e até propina. “Queremos a política do convencimento e não do troca-troca”.

As entidades empresariais da região lançaram nesta semana a campanha “Eu Voto”. Qual é o recado ao eleitor?

A ideia é conscientizar que a única forma de fazer mudança é com participação ativa, votando. Aquele que não for votar, ou vai anular, essa pessoa não promove a mudança.

 

Não adianta ficar discutindo nas redes sociais se no dia você não vai lá votar. Algumas pesquisas mostram que pode haver 60% de votos não úteis. Essa é uma grande preocupação.

Por enquanto, esse número ainda pode mudar, mas hoje são 18 candidatos pela região. Cinco a deputado federal e 13 a estadual. É excessivo? Coloca em risco a representatividade regional?

É lamentável essa postura dos partidos, de não enxergar o todo, de ignorar as necessidades da região. Há muitos anos a gente vem batendo nessa tecla.

 

Essa excessiva pulverização é um grande problema. Além dos eleitores que pretendem votar branco e nulo, cerca de 15 mil pessoas na região não fizeram a biometria, estão impedidos de votar, somado isso ao número de candidatos, podemos até ficar sem representante. A gente sabe que existem os interesses partidários, mas nesse cenário, o risco é grande.

 

Além dos eleitores que pretendem votar branco e nulo, cerca de 15 mil pessoas na região não fizeram a biometria, estão impedidos de votar, somado isso ao número de candidatos, podemos até ficar sem representante.

Levando isso em consideração, não seria justificável que a entidade apoiasse nomes específicos ao invés de fazer uma campanha generalista?

Muito mais do que uma decisão estratégica, é uma decisão legal. Não podemos trabalhar com nomes e nem com política partidária. Poderíamos ser acionados judicialmente.

 

E também porque temos 1.400 empresas associadas, algumas preferem uma linha e, outras, outra. A decisão é da sociedade, temos que tentar influenciar na política de governo e não na política partidária.

Os dois últimos deputados eleitos pela região assumiram cargos no governo do Estado. Na visão da Acijs, isso foi positivo?

Eu acredito que sim. Ter uma pessoa que tem a caneta no governo é muito importante. Vieram recursos para o município, como na saúde e inovação, porque tínhamos representantes daqui em cargos de secretário.

 

Claro, ficamos sem representante na Assembleia Legislativa. Entretanto, no saldo geral, tivemos resultados mais efetivos. E o sistema atual é assim, só tem força para receber um convite ou indicar quem tem voto.

 

Esse modelo precisa ser repensado, sim. As reformas precisam ser feitas, independente da cor de bandeira que vai assumir os cargos. Queremos a política do convencimento e não do troca-troca. Infelizmente, hoje, a relação entre Executivo e Legislativo é baseada nisso, através de cargos ou de propina como vimos no país.

Com avalia a administração de Antídio Lunelli (MDB)? As reformas que estão sendo feitas garantem um futuro mais equilibrado do ponto de vista das contas públicas?

O atual governo está olhando muito a gestão, procurando melhorar a eficiência da máquina pública. O prefeito percebeu que há muitos entraves. A linha de visão dele é bem interessante. Tem que focar na gestão para poder entregar serviços melhores.

 

O serviço público historicamente entrega muito pouco, entrega mal. Ele está tentando e conseguindo melhorar essa entrega. É um processo longo. O Antídio pegou ainda uma conjuntura desfavorável na economia, com queda na arrecadação. Talvez ele não consiga fazer na rapidez que gostaria, mas a direção está certa. E isso é o mais importante.

 

O serviço público historicamente entrega muito pouco, entrega mal. Ele está tentando e conseguindo melhorar essa entrega. É um processo longo

Uma das coligações ao governo do Estado – a de Mauro Mariani com Paulo Bauer – tem forte ligação com a região. Isso deve ter algum peso? A região reclama que há décadas vem sendo esquecida.

Eu acredito que se continuar esse cenário, porque tudo ainda pode mudar, sim. O Sul e o Centro-Oeste vinham sendo muito visado.

 

Acreditamos que o foco volte agora com mais força para o Norte que é uma das regiões principais e que vinha sendo deixada de lado. É um momento interessante, bastante oportuno, para o Norte.

Em relação à eleição nacional, qual o maior temor da entidade?

O principal é que tenhamos um governo que consiga negociar. Independente de quem for eleito, vai ter que ter uma bagagem muito boa, grande, para negociar. Tudo que é necessário fazer nos próximos anos depende de uma extensa negociação.

 

Negociação que hoje é corrompida pela troca e não pelo convencimento. O presidente eleito tem que ter vontade de negociar e cabedal político, ou não vai conseguir fazer nada. Isso vai ser um atraso para o país…

Essa instabilidade do mercado financeiro em função do cenário eleitoral, sobe e desce do dólar e da bolsa, não é um pouco exagerado?

Nós vamos viver uma oscilação bastante grande nas próximas semanas. São reflexos da instabilidade política, o mercado é muito sensível. Independente da cor partidária, o que precisa ter é um discurso que dê segurança ao investidor, muito mais do que ideologia do partido.

 

A gente viveu isso na primeira eleição do Lula. O dólar estava dois reais e pouco e foi a quatro. Foi quando o Lula disse: ‘olha, não vou mexer nos fundamentos econômicos, não vou mexer no Banco Central’. Isso deu segurança ao mercado.

 

Independente da cor partidária, o que precisa ter é um discurso que dê segurança ao investidor, muito mais do que ideologia do partido.

Eleições 2018

  1. Prefeito de Guaramirim, Luís Antônio Chiodidini (PP) acredita que Carlos Chiodini (MDB), Marco Tebaldi (PSDB) e Darci de Matos (PSD), candidatos a deputado federal, farão uma boa votação no município pela atuação constante na cidade. Segundo ele, de emenda parlamentar, desde que assumiu o governo, a Prefeitura tem recebido uma média de R$ 329 mil ao mês.
  2. “Para Assembleia Legislativa, meu compromisso, minha campanha, é pelo Dieter. O PP está unido em torno dele”, diz.
  3. Depois do fechamento das alianças, Paulo Bauer (PSDB) e Esperidião Amin (PP) estão tendo trabalho para apaziguar os ânimos internamente em seus partidos.
  4. Além das atividades realizadas até aqui, a agenda eleitoral da Acijs ainda prevê na segunda-feira debate sobre as fake news, e, depois, três plenárias com os candidatos. Uma com os concorrentes ao governo do Estado, outras com os concorrentes da região a uma vaga de deputado federal e, a terceira, com os candidatos a deputado estadual.

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