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"Tiradentes inconfidente? Um equívoco da história"

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Foto Eduardo Montecino/OCP News
Foto Eduardo Montecino/OCP News

Nossa peculiar passividade latina fez com que engolíssemos o sentido distorcido da inconfidência. Afinal, quem de fato fora inconfidente?

A história nos relata e comprova que em final do século XVIII, o Brasil, ainda na condição de colônia portuguesa, sofria com os abusos políticos e com a cobrança de exorbitantes impostos.

Como se não bastasse, a Coroa Portuguesa instituía uma série de leis que reprimiam o desenvolvimento industrial e comercial no país. Por conta disso, e por influência dos ventos iluministas que sopravam na Europa, redemoinhos de oposição ao imperialismo colonial começaram a se formar por aqui.

A ‘Conjuração Mineira’, liderada por Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, fora a mais significativa. Essas mobilizações emancipacionistas eram norteadas por ideais e princípios republicanos.

Buscavam o que sempre se buscou e continuamos buscando: liberalismo racional baseado na livre concorrência; igualdade de direitos; fim de privilégios políticos; extinção de restrições mercantilistas; melhor distribuição de renda; constituição de um Estado laico e não opressor.

Por conta da intensificação desses movimentos, acabamos herdando a República, e com ela suas mazelas.

Se os patrícios monarcas rechaçaram a imagem de Tiradentes, aplicando a inversão semântica de ‘desconjurado inconfidente’, a República o transformou em um mártir ‘confidente’, embora, inconscientemente, o povo insista em identifica-lo como ‘inconfidente’.

Estabelecendo uma correlação com nossa realidade, é muito provável que você tenha se dado conta que, da lógica exploratória só mudou o ‘modus operandi’. Pois bem, se você se identificou com essas considerações, é normal que esteja se sentindo, então, um pouco Tiradentes ‘confidente’.

Outrora, inconfidente, na real acepção da palavra, fora Joaquim Silvério dos Reis, o ‘traíra’ delator. Inconfidente também fora a ‘louca’ Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana, ou simplesmente D. Maria I, rainha de Portugal, para com a pena aplicada ao nosso alferes insurgente.

Enfim, inconfidentes foram nossos colonizadores dos quais nada herdamos senão uma Nação malformada.

Guardadas as circunstâncias e inconstâncias do momento presente, inconfidente, na semântica correta da palavra, se mostra agora, nosso poder judiciário. Inconfidentes, por hora, são nossos serviços de educação, saúde e segurança.

É importante que compreendamos que a inconfidência nunca fora, e nunca será, atitude de heróis ou do povo, pelo contrário, ela sempre coube ao opressor. Não sejamos avestruzes. Portanto, tenhamos consciência de que qualquer movimento popular de ‘conjuração’ contra um Estado mastodôntico, ineficiente e injusto, nunca será inconfidente, tampouco deverá significar rebeldia, mas sim, cidadania.

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