Feito febre que sobe e desce, o separatismo sempre acometeu o mundo. Tenho estudado um pouco os movimentos separatistas ao redor do planeta. O que tenho observado é que, em síntese, cada movimento possui suas peculiaridades. Há os focados em questões econômicas, os de orientação político ideológicas, os de motivações culturais, e os fundamentados na religião. Em nenhum deles tenho encontrado justificativas que, para mim, façam sentido.

De antemão, como bem nos instrui a cartilha da democracia, devo esclarecer que não tecerei aqui, crítica aos adeptos dos movimentos separatistas, tampouco um manifesto de apoio. Será apenas um olhar particular de um cidadão que se considera patriota sem ser nacionalista. Se quer me agradar, diga-me que sou um autêntico brasileiro cidadão do mundo.

Na verdade, tenho trauma de fronteiras. Possivelmente, por nunca sair da memória a angustiante experiência vivenciada numa travessia entre Egito e Israel pelo deserto do Sinai, em uma de nossas viagens pelo mundo. Para resumir, numa região tensa, onde o próprio Moisés teve dificuldades ao conduzir seu povo por 40 anos, não é difícil imaginar a encrenca que me meti por sacar fotos daquela fronteira estopim, trajando uma jaqueta jeans desbotada e barba por fazer de duas semanas. Por intermináveis quarenta minutos eu fui um espião palestino sob duas miras: as metralhadoras dos dois soldados e o olhar desesperado da parceira Rosilene.

Aquele marcante episódio serviu para acentuar minha antipatia sobre a lógica da convivência dos povos fundamentada no “ado a ado, cada um no seu quadrado”. Embora respeite todos os ideais separatistas, uma característica presente em todos esses movimentos, me chama atenção: o estado de ânimo de cada um deles.

Faço uma analogia me utilizando dos perfis caninos. Há movimentos ‘pit bull’, conduzidos por conflitos, guerrilhas e terrorismo; há movimentos ‘lulu da pomerânia’, não são agressivos, mas agitam e chamam a atenção. E há os movimentos ‘vira-lata’, os que só latem. O ânimo desses depende, pura e exclusivamente, do cenário político econômico do país. Se o governo agrada um pouco e a economia não compromete, nem se ouve latidos. Bem, caro leitor, cabe a você identificar em que região desse mundão se encontra o movimento ‘vira-lata’.