Em meio à polaridade, instabilidade, pluralidade e intolerância, fenômenos estes que caracterizam nossos tempos e, notadamente, nosso clima eleitoral, a sensação que nos aflora é de que a capacidade de convivência humana está se deteriorando.

Será que a paz social que almejamos só se garantirá pelo poder temível das armas? Será que teremos uma paz imposta ao invés de conquistada na mansidão e sabedoria? Renegarei a paz regida pela ética do medo em detrimento da inteligência e sensatez.

Tenho me inteirado sobre os planos de governo de todos os candidatos. Em nenhum deles a ‘Educação’ assume papel de destaque. Todos os candidatos, em maior ou menor proporção, seguem alimentando a lógica de que ‘Educação’ é um processo demorado, não capitaliza votos e, além disso, desafia o establishment. Em nenhum dos planos o professor acenderá a pirâmide social.

Então, independentemente de quem seja o futuro presidente, a paz social continuará sendo uma quimera. Quem sabe até possamos involuir do estágio de tiros e facadas para guerrilhas urbanas, o que já acontece em algumas cidades. O que vejo de comum nos planos, é a priorização do combate reativo à violência, o que significaria, no dito popular, ‘o cachorro correndo atrás do rabo’. Violência não se combate, se previne. E a única forma de prevenção é o investimento maciço na ‘Educação’.

Por esta perspectiva, o teor dos planos governamentais, no tocante a garantia da paz social não lastreada na ‘Educação’, me sugere que o futuro presidente se defrontará com a seguinte dualidade: o que produziria maior efeito moral?  a ameaça de um kiloton nuclear numa sociedade humilde, passiva e oprimida ou a pedagogia do grito numa sociedade crítica e reconhecidamente evoluída? Se imaginarmos uma resposta sob a ótica da obediência, os kilotons numa sociedade humilde teriam, em tese, efeito moral supostamente eficiente. Já, se conjecturarmos pela ótica da coação, a pedagogia do grito numa sociedade crítica e evoluída, ecoaria como declaração de guerra.

Qualquer que possa ser essa resposta, ela será subjetiva já que, historicamente, não nos enquadramos, precisamente, nesses dois perfis de sociedade. Entretanto, a ‘razão’ me diz que a ética do medo, ancorada em qualquer dessas obtusas forças, seria para nós, socialmente desagregadora e desestabilizadora.

Como bem nos alerta Bauman, “as relações escorrem pelo vão dos dedos...As emoções são muitas e falam línguas diferentes, às vezes discordantes, mas a ‘razão’ é uma só e tem apenas uma língua”. Que essa ‘razão’ oriente o futuro presidente a iniciar pela ‘Educação’, ou seguiremos perambulando pelo purgatório. Ainda não nos decidimos sobre nosso destino. Não sabemos sequer, qual a direção pós purgatório, se para o céu ou para o inferno.