Foto Eduardo Montecino/OCP News
Foto Eduardo Montecino/OCP News

Adentramos o mês de maio festejando e enaltecendo o fato de existir trabalho no mundo. Naturalmente, numa condição de subsistência, ter trabalho e poder trabalhar, é motivo de festa, sobretudo no Brasil, onde parcela significativa da população ainda não possa festejar.

No entanto, sob a ótica da dignidade humana, festejar a simples conquista de um trabalho me soa socialmente dramático. Digno de celebração deveria ser, em essência, a realização pessoal para com o trabalho.

Nesta perspectiva estaríamos então, buscando no trabalho, o seu sentido. E quando procuramos respostas sobre o sentido do trabalho, vamos nos deparar com duas dimensões: prazer e sofrimento. Entre sua origem etimológica “tripalium”, do latim (instrumento de tortura), e sua contemporânea condição de auto realização pessoal, podemos reconhecer uma significativa evolução.

A história tem nos suprido de muitas concepções acadêmicas acerca do “trabalho” ao longo dos tempos e das estruturas sociais. Na sociedade greco-romana seu fundamento era a escravidão. Na sociedade feudal, vinculava-se à servidão. Nas sociedades tribais, sua base era a cultura e unidade social.

Na sociedade capitalista, caracterizada pela revolução industrial, transforma-se em mercadoria, embora Max Weber tenha explicado, sob a ótica protestante, como sendo uma benção divina. Karl Marx manifestou a conflitante relação capital trabalho por meio da “mais valia”.

Émile Durkheim propôs a divisão do trabalho como meio de solidariedade orgânica da classe. Frederick Taylor o teorizou racional, produtiva e cientificamente. Friedrich Hegel o condicionou como elemento de autoconstrução do homem.

Embora essas concepções possam nos parecer fragmentadas, nenhuma delas nos garante, necessariamente realização. Nenhuma delas nos assegura sentido ao trabalho. Isto porque, quem dará sentido ao trabalho é, exclusivamente, quem trabalha e se identifica com o respectivo trabalho. Se este não tiver sentido, servirá, tão somente, para subsistência.

E nesta condição, passar praticamente 1/3 da vida subsistindo, é aceitar e incorporar o trabalho em seu conceito mais primitivo: “tripalium” (sofrimento).

Encontrar sentido e realização no trabalho é construir, em primeira instância, a própria identidade e sua útil relação com o meio. É superar os determinismos e limitações que embargam a liberdade. É, em última instância, contribuir para ressignificação da sociedade.

 

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