Foto Eduardo Montecino/OCP News
Foto Eduardo Montecino/OCP News

Constrangedor. Não encontro outra palavra para iniciar este artigo. As instâncias maiores da ética, justiça, disciplina e segurança nacional, foram para os ares deixando um rastro de pó branco no céu. Por se tratar de um voo brasileiro, penso que esta turbulência não se enquadraria como escândalo. Soaria mais como uma tragicomédia.

Patético. Seria a segunda palavra mais apropriada para continuidade deste texto, considerando que, ironicamente, o fato se deu no Dia Internacional contra o Abuso e Tráfico Ilícito de Drogas.

De antemão, saliento que minha crítica é desprovida de posição ou ideologia político partidária. Meu manifesto de indignação, como qualquer brasileiro que nutre a esperança de renovação deste país, reporta-se à fragilidade da ética, justiça, disciplina e segurança em todas as instâncias da Nação.

Portanto, meu intuito aqui, não é pré-julgar ou emitir juízo de valor antecipado a quem quer que sejam os envolvidos. O que precisamos, é refletir sobre o que há por trás de violações com repercussão internacional como esta que acabamos de testemunhar.

Eu estaria sendo injusto e tendencioso se não reconhecesse que uma tragédia moral dessa dimensão, fosse imputada ao governo isoladamente. Este vexame é de responsabilidade da Nação, a qual congrega, em essência, governo, povo e soberania.

Minha indignação recai, então, sobre uma Nação doente há muito tempo, e que agora mudou o coquetel de medicamentos, na expectativa de que o corpo reaja.

A propósito, a prova de que nossa patologia é crônica e conhecida mundialmente, está na histórica frase popularmente atribuída a Charles de Gaulle, lá no início dos anos 60: “Le Brésil n’est pas um pays sérieux” (O Brasil não é um país sério).

Muitos como eu, tem pressa de sentir orgulho desse país, de pertencer à uma Nação sadia e poder acreditar nos representantes, sejam de qual for o partido. De poder viajar o mundo e proclamar que, em nosso país, a corrupção foi varrida e passamos a ser um país sério. Ou pelo simples fato de sentir prazer em voltar.

Vergonhoso. Esta seria, então, a terceira palavra com a qual encerro este artigo. Vergonha da instituição ‘povo’, na pessoa do infeliz cidadão, se assim o podemos chamar, que ao jogar no lixo sua patente, desonra a instituição da Segurança Nacional que a representa.

Vergonha da instituição ‘governo’ pela incompetência na fiscalização e controle elementares que deveriam envolver um transporte presidencial.

Vergonha do grau de vulnerabilidade em que se submete a instituição ‘soberania’ e, por conseguinte, nosso conceito diante do mundo.

Rogamos para que o voo do Brasil se estabilize e ganhe altura cruzeiro.

 

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