A começar pela data comemorativa a mulher, perante o homem, continua em desvantagem. Observe só: Instituiu-se o único 8 de março como o dia internacional da mulher. Já ao homem, dedica-se duas datas: 19 de novembro, como dia internacional, e 15 de julho, como dia nacional. Ela sabe o porquê de uma só data. Ele não sabe o porquê de duas.

Não busco neste espaço homenageá-la, pois o homem pouco tem a oferece-la que seja digno de homenagem. Tampouco pretendo defini-la, já que mulher não se define, mulher ‘é’. O que quero aqui, é ajudar a propagar seu grito. Do pouco que sei, e do muito que busco compreende-la, já captei que o que ela espera do homem é liberdade, respeito e admiração, e do Estado, proteção.

Então vamos a sua condição: se nos reportarmos às características que dizem respeito à condição natural da mulher e do homem, perceberemos diferenças biológicas determinantes, mas também, diferenças culturais historicamente construídas por nós homens.

De modo geral, pesquisas apontam que entre as ‘melhores coisas’ de ser mulher, a possibilidade de concepção aparece em primeiro lugar. Já, entre as ‘piores coisas’, destaca-se a subordinação aos homens. Por outro lado, entre as ‘melhores coisas’ de ser homem, vence a condição de não engravidar, não parir, não menstruar.

Já, entre as ‘piores coisas’, aparece o papel socialmente imposto de provedor da família, o que a mim, não faz nenhum sentido. De ambas as partes, são compreensíveis e naturalmente aceitáveis as diferenças quando reportadas as ‘melhores coisas’.

No entanto, quando referidas as ‘piores coisas’ as diferenças deveriam ser repudiadas, pois são essas que reprimem o processo de evolução de nossa espécie enquanto ser social. Podemos ser diferentes, mas é inconcebível sermos desiguais.

Embora tenha se avançado em alguns direitos, o abismo da desigualdade ainda é considerável. Se tomarmos por amostra nossa Jaraguá, veremos que ainda são pífias as conquistas em quesitos importantes como, participação da mulher na política, nas lideranças empresariais e, sobretudo, sua proteção. Nos destacamos em estupro e agressão, com a conivência de um Estado também patriarcal.

Agora atentem para o seguinte paradoxo: A despeito de elas serem comprovadamente mais escolarizadas que os homens, representarem praticamente a metade da população economicamente ativa, serem mais produtivas, possuírem mais sensibilidade e habilidade em liderança, sua remuneração média é 30% inferior à dos homens.

Essa condição desigual foi historicamente promovida por nós homens. A luta pela igualdade cabe então a nós, cavalheiros, não lhe parece sensato? Só assim estaríamos reparando esse perverso déficit histórico. Só assim estaríamos prestando, de fato, uma autêntica e digna homenagem.