Eu ia dizer viver e aprender, preferi viver é aprender. Tem que ser, se a pessoa vive e não aprende, babaus, fica lá atrás, correndo atrás dos ventos vazios do nada.

Acabei de ler uma frase e lembrei, com ela, de uma vivência por que passei. Uma não, várias e com o mesmo protagonista ao lado: Mário Quintana. Mário, a meu juízo o mais famoso poeta gaúcho de todos os tempos, já era um vetusto cidadão quando o conheci. Eu, um “jovem aprendiz”...

Às quatro da tarde, todos os dias, Quintana ia para o barzinho da Cia. Caldas Júnior, do jornal Correio do Povo e da Rádio Guaíba, e pedia meia taça de café preto e um quindim. Era o lanche favorito dele. Eu ao lado, com outros colegas, dizendo bobagens. Só fui “descobrir” o gênio Quintana bom tempo depois.

Estou indo longe, leitora, e não digo a que venho. Venho por duas frases, uma que acabo de ler num livro de Napoleon Hill, americano, e outra do Mário Quintana.

No livro “As leis do Triunfo e do Sucesso”, Hill diz que – “Estudar mesmo quando não tivermos provas...”. Dito de outro modo, trabalhar sempre, mesmo quando “não precisamos”.

Vale para tudo na vida e especialmente como sinal de alerta para os que, saudáveis, sonham com a aposentadoria. Néscios, vão se enrolar na vida e não vão desconfiar da origem: a vadiagem existencial.

A outra frase, esta do Mário Quintana, define o inferno: - “O inferno é um fim de semana sem fim”. Só um sensível para dizer isso, para definir a “vida inferno” dos que não têm o que fazer.

Sempre temos que ter um sonho, um desafio, um estudo, um trabalho, o que for, na agenda diária da nossa vida. Não é outra a razão de tantas e tantas neuroses exaltadas, depressões e brigas caseiras por que milhões de pessoas passaram e passam em razão do “confinamento” ditado pelo vírus.

Tudo porque não sabem aproveitar o tempo, usá-lo e, sobretudo, transformar o que se lhes afigura como “limão” em saborosa limonada.

Estudar mesmo quando não temos prova, é frase simbólica, faz-se mister compreendê-la. Adaptando-a, significa achemos o que fazer, de outro modo estaremos num fim de semana sem fim, a verdadeira descrição do inferno, segundo o saudoso colega Mário Quintana.

Inferno

Pesquisas de todo tipo estão sendo feitas para saber das reações das pessoas diante da “quarentena”, do confinamento social, da perda do emprego, das brigas caseiras, de tudo sobre o momento por que passamos.

Muitos, por exemplo, rangiam dentes por ter que sair para o trabalho, agora rangem os mesmos dentes para arrumar outro emprego, demitidos que foram. O trabalho e a família ou são bênçãos, ou a pessoa vai conhecer o inferno na vida...

Vida

Estou cansado de dizer isso que ou casamos por amor com nosso trabalho, ou o trabalho vai ser condenação... Quem faz o de que gosta se cansa menos, se estressa menos, tem mais saúde, alegria e longevidade. Comprovações mundiais.

Vale para o casamento com ela ou ele. Não é, todavia, o que mais acontece, as pessoas estão simplesmente casando... Amor? Para bem poucos. Dá no que anda por aí, divórcios e silenciosas amarguras.

Falta dizer

Muitas pessoas estão devorando guloseimas, doces, na quarentena, exagerando mesmo. Faz sentido, quando estamos angustiados vamos à geladeira buscar um doce e não um pastel.

Doces são “alimentos gratificantes”. Dão prazer. É o que os adultos prometem às crianças bem comportadas: doces, uma gratificação. A nossa criança interior continua de plantão. Explicado.

 

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