Acabei de ler o meu primeiro jornal de hoje. E a minha cabeça está dando voltas. Voltas no tempo. É que li uma entrevista da Regina Duarte e minhas memórias me levaram tanto para o recente quanto para um passado remoto. Remoto? Vou explicar.

Ando sempre disposto a ouvir pessoas, um vezo de psicólogo ou jornalista. Presto muita atenção, por exemplo, ao que as mulheres me dizem, e se não dizem, as provoco. Sobre o quê? Sobre homens. O que mais tenho ouvido de mulheres que já foram casadas é que “nunca mais”. Como? – “Nunca mais, Prates, casar, nunca mais. Não dá. É um porre, nem pensar, quero agora viver a minha vida, livre, sem amarras…”. É mais ou menos assim que elas estão falando, o que não quer dizer que não possam, eventualmente, “chegar junto” com algum homem, mas aliança no dedo e escovas no mesmo copo, Deus as livre…

Vamos dar de barato que as que já passaram pelo casamento possam dizer o que dizem, mas e as “gurias”, as novinhas que ainda não conheceram a encrenca, opa, quis dizer casamento? Aí é que está, de um modo um pouco diferente, as gurias estão dizendo parecido. Dizendo que está muito difícil achar um cara que preste, um jovem homem que seja Homem, é tudo bebê chorão, filhinho da mamãe, “conectados” o tempo todo… Elas têm razão, machinhos desse tipo desencantam… Quer dizer, as mais vividas não querem nem pensar voltar a dividir a mesma cama com um “xarope”… e as mais novas não conseguem encontrar Homens… Feia a coisa!

Foi diante desses desencontros que a minha cabeça voltou ao passado. No tempo de Machado de Assis, as moças tinham três caminhos: o imperioso casamento, ir para um convento ou encontrar a família dela uma desculpa em forma de doença para explicar “à sociedade” porque a filha não casara… Um horror a vida passada das mulheres. Vida passada?

Doença

Os moralmente doentes continuam a chamar mulher que não casa de “encalhada”. E os homens que não casam? – Ah, esses são espertos, dizem os estúpidos. Porrada nas mulheres. Bom, afinal, não inventaram que a mulher veio de uma costela? Os “joaninhas” escreveram a religião, rebaixaram as mulheres. Conheço-os bem… “Joaninhas”

Falta dizer

Guria, para o teu bem, nunca fiques financeiramente debaixo das asas de um homem. Nem financeiramente e nem por outra razão qualquer. Liberdade, igualdade e muito amor. Só assim.