Não vou discutir com ela nem brigar, vou apenas fazer uso do meu modo de pensar sobre certas questões, a que vem a seguir é uma delas. Em Psicologia não se briga, trocam-se ideias. E sobre ideias, é bom dizer que não existem ideias coletivas no sentido de todos pensarem por igual, quando todos, ou muitos, pensam por igual houve adestramento de alguém ou de muitos sobre o grupo adestrado... Cada um de nós tem suas percepções, que podem ser parecidas com as dos outros, mas serão apenas parecidas. Do mesmo modo como não há duas pessoas iguais no mundo, não há dois pensamentos idênticos, não há, não forcemos essa igualdade. Já fui longe e ainda não disse que o que me traz a esta conversa de hoje, leitora/or. É uma afirmação de uma psicóloga paulistana, professora da PUC. Ela não alongou a ideia, nem era preciso, disse apenas que “As pessoas podem ser felizes se abandonarem as ilusões”. Ilusões são enganos, vejo o que não há, escuto o que não faz barulho, sonho com o irreal, enfim... Tudo bem, colega psicóloga, tudo bem, talvez de fato eu pudesse ser mais sossegado e feliz se mandasse às favas minhas ilusões. Mas se eu fizesse isso não teria mais os anseios por que lutar, ainda que anseios gerados pelas ilusões. Todos precisamos de sonhos “irrealizáveis”, eles se me afiguram indispensáveis à vida e, paradoxalmente, à felicidade. Viver com os pés no chão o tempo inteiro, convenhamos, é um tédio desencantador. Preciso ter sonhos, preciso de minhas ilusões para me iludir... Se ficarmos no inventários do que já não podemos mais, do que talvez não seja para nós, no que provavelmente seja impossível, diachos, vai sobrar o quê? Além disso, não vivemos dizendo que enquanto houver esperança haverá vida? Esperança é esperar, imaginar possível, “iludir-se” até, mas que fique claro: muita gente conquistou milagres depois de ter sonhado com o “impossível”... Impossível para os outros, para o que pensavam que tudo não passava de ilusões, loucura... Não, doutora, não vou seguir o seu bem-intencionado conselho, vou continuar com minhas ilusões, elas me dão um frêmito que a senhora não pode imaginar; mas confesso que me jogaria da ponte se a senhora as descobrisse, soubesse do que se trata... Cruzes! Horror Fico sabendo que serão cada vez mais comuns este ano nas escolas particulares de todo o Brasil as asquerosas videoconferências de que os colégios estão se valendo para poder viabilizar as outrora eficientes reuniões de pais e professores. Desaparece o olho no olho, as conversas diretas entre os pais e professores, a troca, enfim, das indispensáveis informações para o bom encaminhamento da educação de crianças e adolescentes. O pai/molenga e a ocupada mamãe/frívola não têm tempo para irem à escola saber dos filhos, estão ocupados com seus ansiolíticos, imagino... Falta dizer Um jornal de São Paulo descobriu que apenas 16% das ruas que homenageiam pessoas têm nome de mulheres. Pudera! Mas eu garanto que a maioria dos idiotas homenageados só existiram por que lhes havia uma mulher por trás, soprando ideias...