Gosto muito de uma história que aprendi há muitos anos, será mesmo que aprendi? Penso que não, não aprendi, pelo contrário, em muitos momentos renovo minha estupidez de crente barato diante de inúmeras pessoas. Dito de outro modo, aposto nas pessoas, creio em pessoas e... me dou muito mal. Me dei mal, pelo menos, em algumas e inesquecíveis vezes. A história, bem resumida, é esta, que, aliás, já a contei aqui, faz bom tempo: - “Um senador americano, chegando a um comício do Partido Democrata contou aos amigos: - Estaria atrasado se não tivesse encontrado um motorista de táxi que soube contornar todos os engarrafamentos. Ia dar-lhe uma boa gorjeta e pedir-lhe que votasse nos Democratas, quando me lembrei dos labirintos da natureza humana. Não lhe dei gorjeta alguma e pedi-lhe que votasse nos Republicanos...” Entendeu? Se não, lê de novo até entender, é sútil... Fazendo o que fez o senador, o motorista, por certo, vai votar nos Democratas, afinal, foi frustrado por um Republicano, que não era republicano... Enfim... É bem assim. Não raro, você é educado, presta favores, ajuda, dá presentes, demonstra, enfim, atenções e respeito por alguém... E o troco? Frequentemente, indiferença, quando não velada agressividade. Para inúmeras pessoas “ajudadas” fica – inconscientemente – ou nem tanto, a ideia de subalternidade, de inferioridade, e isso lhes provoca ódio, ira, vontade de “vingar-se”. São poucas as pessoas sensíveis, pessoas que entendem as gentilezas, os favores, as graças de quem podendo ajudar, ajuda. Mas são bem poucas essas pessoas, para dizer mais, muito raras. Disso resulta que muitas pessoas, que bem podiam ajudar a outras tantas, não o fazem. E se alguém vier com a história de que devemos sem bons sem esperar retribuição, ah, que vá pentear macacos. Gentileza tem, sim, que gerar gentileza em sentido contrário. Bobagem e muito mal-intencionada aquela frase que diz – fazer o bem sem olhar para quem... Conversa mole, temos que olhar para quem sim, olhar e esperar a retribuição, nem seja um mero e acanhado sorriso. Mas sem “troco” nada feito, nenhuma ajuda. Ah, e antes que alguém me venha dizer que há pessoas que atravessam o oceano para ir ajudar a quem precisa depois de um terremoto, me engana que eu gosto. Vão é fazer média, posar de boazinhas e, claro, dar uma esticadinha. Isso quando não visam a enganar o Senhor, lá em cima... Eles querem “troco” sim. E não estão errados.

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