Bem pode que eu esteja errado, mas penso que não... O ser humano insiste, persiste, obstina-se em ser feliz sem razão, isto é, quer ser feliz sem merecer. Explico. Acabo de ler uma reportagem feita por americanos que estão furiosamente tentando nos fazer ser felizes simplesmente por artificialismos bioquímicos, sem que haja uma razão emocional para a felicidade. Uma refinada estupidez, mas... Dou o desconto, é mesmo muito triste passarmos a maior parte da vida emburrados, resmungando, sonhando com paraísos inatingíveis ou quase... O ser humano nasceu para ser feliz, certo? Discutível. Há toscos que acreditam que estamos aqui para nos redimirmos de pecados que não cometemos, os tais pecados originais, tem cabimento uma estupidez dessas? Há quem ache que estamos neste “vale de lágrimas” apenas para pagar por pecados de outras vidas... Ah, uma boa cinta... Agora, cientistas, numa loucura santa, querem fazer com que os hormônios que fazem parte das nossas elações de felicidades – a endorfina, a dopamina, a serotonina e a oxitocina - circulem por nosso sangue produzindo elevações de ânimo sem que haja motivos para isso... E aí é que está a grande loucura dos cientistas: ser feliz sem estar feliz. Seria mais ou menos como alguém embebedar-se, ficar tonto e sair por aí dançando no meio da rua. Ele seria feliz? Não, não seria, seria um pobre diabo bêbado. No caso de podermos, sem uma razão emocional a justificar, lançarmos na corrente sanguínea os hormônios da felicidade e ficarmos felizes, teríamos descoberto um caminho mágico: ser feliz sem razão. Diachos, isso acabaria com a condição humana. Para sermos felizes precisamos estar sintonizados com nós mesmos, termos percepções adequadas sobre o que nos cerca e acontece de modo a que possamos, por consciência, nos sentir felizes. Mas eu sei, é desesperadora a luta humana pela felicidade, vale tudo... Não, não vale tudo. Aliás, seria muito engraçado alguém pulando de felicidade sem motivo, simplesmente porque tem um “aditivo” na corrente sanguínea. O melhor mesmo, companheira/o, é lutar pela felicidade, mas antes da luta dar uma geral em torno de nós mesmos, será que não temos “agora” motivos para sermos felizes? Aposto que sim, e sem “aditivos”. Ademais, convenhamos, ser feliz o tempo todo deve ser a pior das danações, um inferno antes de um paraíso. Estou feliz, conversei com você.