Não, não vou contar uma história da carochinha, vou contar, isso sim, uma história que muito se parece com essas historinhas inventadas para divertir amigos ou entreter crianças. A “história” que vou contar é a mais pura verdade. Bizarra? Pode ser, melhor é dizer que é trágica, posto que muito comum. Essa expressão “posto que” significa – embora. Muitíssimos a usam significando – já que. É como mais leio por aí... Perco tempo, vamos à história. Aconteceu num shopping de Florianópolis. Eu estava num café com uma amiga quando chegou uma amiga dessa amiga. Uma senhora de 65 anos. Cumprimentaram-se e soltaram-se numa conversa bem de comadres. A certa altura, minha amiga observou que a amiga dela estava muito bonita, solta, alegre; olha, era uma nova pessoa... Foi aí que ouvi parte de uma história trágica, comum, muito comum. Essa senhora de 65 estava viúva há dois anos. A vida era outra para ela. O falecido era um porre, tinha sido um porre para ela. Claro que ela não dizia isso, eu é que inferi. Um chato daqueles... Ouvi que ele não deixava a mulher ir ao ginecologista sozinha, ele ia junto, sabes como é... - pensava ele. Ela não podia sair com amigas, não podia isso, não podia aquilo, como se ela fosse fugir ou cometer adultérios de motel... O sujeito era, simplesmente, como 99.1% dos maridos, inseguríssimo. Morreu. Morreu e a mulher se libertou. A tal senhora agora viaja, como sempre gostou e não podia, sai com amigas, se diverte e é divertida, tem uma cabeça iluminada, boas ideias, pessoa, enfim, encantadora. Não, não casou de novo, ela não é louca. E essa história, leitora, fez-me lembrar de uma outra que tirei do antigo Jornal do Brasil e que também tratava de uma viúva. Era a história de uma mulher que fora casada por quase 60 anos com um cara da Marinha. Quando se conheceram ela dançava balé num clube da cidade deles... Logo após se conhecerem, o macho inseguro proibiu a namorada/noiva de dançar, não ficava bem para uma moça, dizia ele. Sessenta anos de casamento e ele “apitou”. Ela era, finalmente, livre. E sabes o que ela fez? Voltou a dançar, quase aos 90 anos. Pobrezinha, sem voz, sem força, ficou calada, humilhada durante décadas por um macho inseguro. Quando ele se foi, ela voltou a viver. Muito comum. Bah, mais comum do que você pensa, leitora... EDUCAÇÃO Se você pensa que essas histórias aí de cima são raras, se engana redondamente, são comuníssimas. Para diminui-las é preciso educar muito bem as meninas. Dizer às filhas, ainda no berço, que nenhum namorado ou marido tem o direito, o poder de lhes dar regras ou sentenciar proibições, nenhum. O namoro, a relação, deve acabar ali, na hora, quando o pilantra pigarrear mais forte com a mulher. Se elas não se impuserem de saída, nunca mais. Vão acabar apanhando e/ou vivendo numa senzala. FALTA DIZER Tem gente que já está malhando a barriga para chegar ao Verão na mais pura forma. Que pena! Como seriam mais felizes essas pessoas se malhassem a cabeça. Mas elas não sabem disso.