Olá, caros leitores, a coluna de hoje será dedicada aos implantes dentais. Implante dentário é um artefato (pino) - na maioria das vezes de titânio - instalado dentro do osso, abaixo da gengiva, tendo a função de substituir a raiz do dente perdido, fixado ao implante se instala o dente artificial.

A capacidade do titânio unir-se ao osso não é novidade. Na década de 60, na Suíça, foram instalados os primeiros implantes dentais construídos neste metal, e desde então a osseointegração, que é o nome dado ao fenômeno da união funcional do titânio ao osso, vem aumentando a qualidade de vida das pessoas.

Em 1998, quando iniciei os primeiros contatos com esta especialidade, atingir a osseointegração era o critério de sucesso.

Como tudo evolui e particularmente na implantodontia essa transformação foi radical, critério de sucesso é o implante ter aspecto final de dente, só a função não é suficiente, tem que "ser dente”. Nesse sentido, vivenciamos as sucessivas evoluções e mudanças de paradigmas.

Vamos discutir alguns aspectos:

Materiais: o titânio realmente é o material mais utilizado apresentando desempenho excepcional, acrescenta-se zircônia (um tipo de porcelana) a esta liga e melhoramos aspectos de resistência e biocompatibilidade. A zircônia pura apresenta-se hoje como uma alternativa viável para a substituição do metal nos implantes, e aumenta exponencialmente os aspectos estéticos e de biocompatibilidade. Poucos sistemas têm esta opção, mas já é comercialmente viável e com custos interessantes, claro que com indicação específica, não é para todos os casos.

Sistemas de implantes: existem inúmeras fábricas de implantes, vários desenhos, sistemas nacionais, importados, cada um com suas características, vantagens, desvantagens e, claro, preço. Por mais que se diga que titânio é titânio, não é bem assim, os padrões de desenho, tipo de material, técnicas de descontaminação e tratamento das superfícies modulam o desempenho destes sistemas, aumentando ou diminuindo suas taxas de sucesso.

Indicação: substituir um ou mais dentes que foram perdidos, sempre que possível, e analisando o prognóstico (a expectativa de desempenho futuro), é melhor tratar e conservar o dente, porém onde esta manutenção apresenta risco de perda estrutural ou risco infeccioso a substituição desta raiz por um implante, pode ser uma escolha sensata. O cuidado a ser tomado é com a simplificação, remover dentes e instalar implantes sem cuidadosa análise, pode ter um viés mercantilista, esta decisão deve ser amplamente discutida e analisada sob a ótica da ciência e levando em conta os anseios do paciente.

Afinal, o objetivo é o implante? Seguramente não, o que se deseja é ter dentes. A meta é a recuperação da estética e função, para isso a odontologia dispõe de uma ampla gama de materiais para reconstituir o dente perdido.

Cada situação merece ser escrutinada e a técnica mais adequada eleita para o caso, fico preocupado pelo direcionamento guiado apenas pela praticidade, nem sempre o caminho mais rápido é o melhor, já em algumas situações a ação imediata faz toda a diferença.

Como sempre digo aos meus alunos: “para quem só tem um martelo, o mundo inteiro parece um prego”.

Voltaremos a abordar com mais detalhes algumas dessas questões.

Dr. Luciano Drechsel é Mestre e especialista em Prótese Dentária, especializando em Implantodontia e Odontologia Digital, Professor de Prótese Dentaria da FURB e coordenador do curso de especialização em Implantodontia e Prótese Dentária do Grupo Harmonique em Blumenau