Foto Divulgação/Freepik
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Hoje continuamos uma discussão sobre as diferenças entre homens e mulheres. Se você perdeu a primeira parte, pode ler os artigos anteriores no site do OCP News. No consultório de sexologia, a maior queixa das mulheres é a falta de desejo sexual.

Alguma diminuição do desejo depois dos meses iniciais é normal, tanto para homens como para mulheres, afinal não é possível continuar vivendo sempre apaixonado; a vida demanda outras prioridades. Me refiro à queda que ocorre ao longo dos anos, com o passar de bastante tempo.

É comum que as mulheres relatem que seus maridos ou namorados mantenham o mesmo interesse que tinham no começo, mas que o desejo delas diminui com o tempo, às vezes desaparecendo completamente.

Sentem pressão do parceiro, o que de alguma forma torna a questão ainda mais difícil. Algumas tentam manter relações mesmo sem vontade, o que também acaba muitas vezes por contribuir para o problema, associando uma vida sexual com algo desconfortável, feito mais para agradar o outro do que aos dois.

Existem diversos motivos para que isso aconteça, e é algo que se tornou tão comum na sociedade que as narrativas que costumamos ouvir sobre homens e mulheres insistem que é uma coisa da natureza, que mulheres “tem menos desejo mesmo”.

Terapia individual ou de casal pode ser bastante útil para identificar os motivos disto em cada pessoa, mas hoje vamos falar de um grande matador da libido de forma geral, o estresse.

Uma pessoa muito estressada continuamente passa por processo complexos no cérebro, afetando várias estruturas, desde o sono, o sistema imunológico, e também o desejo sexual. O stress age no cérebro nos colocando num constante estado de ter que lutar ou fugir, e em nenhum desses estados há espaço para relaxar e aproveitar.

Um surto de adrenalina pode ser muito excitante, mas é preciso ter também a capacidade de relaxar deste pico para aproveitar as sensações, como numa montanha russa, cheia de subidas e descidas. O estresse constante não permite esse subir e descer da excitação, se prolongado, vira uma linha reta constante.

Não é incomum que pessoas estressadas relatem não ter desejo sexual algum. E quando analisamos os padrões de estresse em casais, também vemos alguns padrões de gênero.

As mulheres na nossa sociedade tendem a trabalhar muito mais horas do que os homens, não só em um trabalho externo, mas com as tarefas domésticas, como limpeza e alimentação, cuidado de filhos, e também com a organização de afazeres coletivos (organizar o que precisa ser comprado no mercado, se faltam roupas para os filhos, marcar datas de consultas médicas, delegar tarefas).

Em muitas casas, o trabalho do homem está encerrado quando chega do trabalho. Em outras, o homem “ajuda”, ou seja, segue indicações da mulher sobre o que fazer, sendo a mulher a “gerente” da casa.

Essa diferença de tarefas, e o estresse adicional de equilibrar tudo isto, pode ser um dos fatores causadores dessa diferença de desejo sexual. Mulheres estressadas e cansadas depois de fazer tudo o que precisam não vão estar dispostas a depois agradarem seus maridos.

Quando se forçam à intimidade, mesmo assim, muitas vezes passam a considerar a própria atividade sexual como mais um trabalho, mais uma coisa a se fazer na longa lista de afazeres, e não como um momento de prazer e relaxamento para si mesmas, o que pode causar ressentimentos profundos no longo prazo.

Para casais que se deparam com estes problemas, uma prática transformadora pode passar por uma conversa onde se dividam adequadamente as tarefas e também as responsabilidades, ou seja, coisas que não precisem ser pedidas, demandadas, cobradas, onde a mulher não tenha que se sentir como a chefe chata que tem que conferir se o subalterno já fez o que tinha que fazer ou não.

Dividir as durezas da vida igualmente pode deixar ambos mais descansados, e com mais confiança e admiração um no outro e no fim deixar ambos mais dispostos para se encontrarem e celebrarem esses sentimentos.